sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Dilma: a barbeiragem de FHC e do DEM

Do Blog Vi o Mundo

Dilma: Racionamento, sim (como o de FHC) é barbeiragem

Robson Bonin Do G1, em Brasília

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) disse nesta quarta-feira que o país por voltar a ter novos apagões. "Nós não estamos livres de blecautes". Segundo ela, "ninguém pode prometer que não vai ter interrupção no sistema". A ministra falou pela primeira vez sobre o apagão, que afetou 18 estados entre a noite de terça-feira (10) e a madrugada de quarta (11).

(Esse é o verdadeiro jornalismo de esgoto. Note que a ministra Dilma não usa o termo “apagão”, ela diz que "Nós não estamos livres de blecautes”. )

Dilma disse que o que não ocorrerá mais no Brasil é racionamento de energia. “O que nós prometemos é que não terá nesse país mais racionamento. Racionamento é barbeiragem. Por que é barbeiragem? Porque racionamento de oito meses implica que eu com cinco anos de antecedência não soube a quantidade de energia que tinha de entrar para abastecer o país.”

(Aqui ela faz a diferença entre o que houve em 2001 e o que aconteceu nesta semana. No primeiro faltou planejamento, tivemos quase um ano de racionamento de energia elétrica. O segundo foi um blecaute, provocado pelas intempéries da natureza, que foi resolvido em algumas horas.

Pra quem não lembra, em 2001, além de FHC (PSDB), o ministro do apagão era o então senador pernambucano José Jorge (DEM), que foi candidato a vice na chapa derrotada de Geraldo Alkimin à presidência.)


A ministra afirmou que não iria polemizar sobre as causas do apagão. “Eu não vou entrar nesse tipo de polêmica. Isso não me interessa. Não se pode politizar uma coisa tão séria para o país", disse a ministra.(leia mais...)

(Concordo que tudo seja apurado para que se busque soluções, mas discordo principalmente da forma como a mídia está fazendo a cobertura)

(Comentários em destaque são meus)

Desmatamento na Amazônia cai 45% e é o menor em 21 anos, diz Inpe

BBC - Agência Estado

Área derrubada foi de 7 mil Km², menor índice desde o início do monitoramento.

- O governo anunciou nesta quinta-feira que o desmatamento na Amazônia Legal no último ano foi o mais baixo desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a monitorar a região amazônica, em 1988.

Entre agosto de 2008 e agosto de 2009 foram desmatados 7 mil quilômetros quadrados, de acordo com os dados do projeto de monitoramento por satélite do Inpe (Prodes). Esta também foi a primeira vez em 21 anos que a área derrubada ficou abaixo dos 9 mil quilômetros quadrados.

O resultado mais próximo disso foi registrado entre 2006 e 2007, com 11.633 km2 derrubados.

O número também representa uma redução de 45% em relação ao período de agosto de 2007 a agosto de 2008, quando, segundo o projeto de monitoramento do Inpe, foram desmatados 12,9 mil quilômetros quadrados.

“Ainda é muito, mas a queda foi muito grande. É um dado excelente, um resultado histórico”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que participou do anúncio ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

A menos de um mês da Conferência da ONU sobre mudanças climáticas em Copenhague, com ou sem metas de redução de emissões, o resultado vai ser um trunfo importante para o governo brasileiro nas negociações por um acordo que substitua o Protocolo de Kyoto.

Arco Verde

Nos últimos anos, a tendência histórica vem sendo de queda na área desmatada.

No entanto, o governo federal ainda está distante das metas assumidas em seu Plano Nacional de Combate às Mudanças Climáticas, que prevê a queda do desmatamento a 80%.

Isso significa que o desmatamento máximo admitido em 2020 deve ficar por volta de 4 mil quilômetros quadrados, menos de metade dos números anunciados com estardalhaço nesta quinta-feira.

O anúncio foi feito durante o evento de divulgação do balanço do Mutirão Arco Verde, o programa do governo federal de combate a atividades clandestinas que levam ao desmatamento.

O programa visa a promover o desenvolvimento sustentável nos 43 municípios amazônicos responsáveis por mais de 50% das derrubadas na região.

O projeto envolve 14 órgãos do governo, sob a tutela da Casa Civil, além das prefeituras da região e de organizações não-governamentais.

O governo incluiu também um programa de regularização fundiária no Mutirão Arco Verde, como parte da tentativa de unificação das políticas de assentamento agrário, regularização ambiental e desenvolvimento sustentável.




quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Oriente Médio: Imprensa vê disputa pelo apoio do Brasil

País começa a ganhar destaque como ator importante na política da região


Os dois presidentes conversam no Itamaraty: Lula dá sinais de que aceitará o convite de Peres para visitar Israel em 2010 - (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press )

Gustavo Chacra, correspondente, Nova York - O Estado de SP

O Brasil consegue aos poucos se destacar como um ator importante na política do Oriente Médio, e o apoio brasileiro passou a ser disputado pelos países envolvidos em conflitos na região. Esta é a avaliação de órgãos de imprensa de Israel que cobrem a visita do presidente Shimon Peres a Brasília, São Paulo e Rio.

Nos Estados Unidos, o peso brasileiro também é sentido, com críticas a Luiz Inácio Lula da Silva por receber o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad ainda neste mês e por ter uma viagem agendada a Teerã no início do próximo ano. Outros veem a iniciativa do presidente como positiva pela neutralidade do país, ajudando em um difícil acordo para a questão nuclear iraniana, prioridade da administração de Barack Obama.

O governo brasileiro também tem sido ativo no conflito envolvendo israelenses e palestinos. No mês passado, o Brasil liderou, sem obter sucesso, uma proposta no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, para encontrar uma saída para a questão do relatório Goldstone, que acusa Israel e o Hamas de terem cometido crimes durante a guerra em Gaza no início deste ano.

A embaixadora brasileira nas Nações Unidas em Nova York, Maria Luiz Viotti, foi, na semana passada, uma das vozes mais fortes no debate sobre o tema. A posição brasileira, nos dois casos, teve destaque nos principais jornais americanos e europeus, algo impensável desde quando o diplomata Osvaldo Aranha presidiu a Assembleia Geral da ONU na votação que criou o Estado de Israel, em 1948.

Em análise, o diário israelense Haaretz afirma que “as visitas dos presidentes do Irã e de Israel ao Brasil demonstram o crescimento da potência sul-americana no Oriente Médio”. Na avaliação do jornal, considerado de centro-esquerda em Israel, um apoio do Brasil ao Irã poderia dar credibilidade ao programa nuclear iraniano, e os israelenses visam impedir justamente que isso aconteça.

Neste envolvimento na política do Oriente Médio, o Brasil é visto como anti-Israel. Em primeiro lugar, pela forma como Lula trata Ahmadinejad, considerado o principal inimigo israelense no mundo. O presidente brasileiro também já esteve em uma série de países árabes e visitará o Irã, mas não foi a Israel. Para completar, a posição brasileira em relação ao relatório Goldstone foi vista como dura pelos israelenses. Na ONU, Viotti afirmou que “Israel precisa respeitar as leis internacionais ao se defender, especialmente em áreas densamente populosas”.


Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091112/not_imp465140,0.php

E agora José Serra?

Presidente da Eletrobrás diz que problema deveria ter sido isolado em Itaberá

Nielmar de Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz, disse à Agência Brasil que deveria ter ocorrido o "ilhamento" do problema que originou a falta de luz em 18 estados do país. Segundo ele, houve falha e é preciso investigar o motivo que levou o sistema de segurança a não ser ativado.

“Nós tivemos um problema meteorológico em Itaberá que levou à queda das três linhas de 750 quiloVolt (kV), o que significa dizer que perdemos a capacidade de transmitir metade da energia gerada por Itaipu. Deveria ter acontecido o ilhamento do problema para possibilitar o religamento do sistema. Mas como isto não aconteceu, aí o problema se estendeu para as duas linhas de corrente contínua que liga Itaipu a São Paulo. O que é preciso levantar é porque não entrou em operação o sistema chamado Erat que existe exatamente para levar ao ilhamento”.

O presidente da holding que controla as empresas de energia do governo disse que não houve problema de falta de energia, mas sim uma interrupção temporária nas linhas de transmissão. Para ele, o sistema elétrico está bem dimensionado e os investimentos foram feitos.

Muniz lembrou o fato de que, dentro do planejamento energético elaborado para o país, várias novas usinas, principalmente hidroelétricas de grande capacidade de geração, estão em fase de construção ou de licitação - citando as usinas do Rio Madeira e de Belo Monte, no Pará, que entrá prevista para entrar em operação em 2014 interligando as regiões Norte e Sul e, consequentemente, fortalecendo o sistema elétrico brasileiro. “Com as obras que estão planejadas e sendo executadas, nós não temos dúvidas de que vamos atender ao aumento da demanda. O sistema não só está apto a atender ao crescimento, como a população pode ficar tranquila, porque acidentes como este dificilmente voltarão a se repetir”.

“Eu não tenho dúvidas de que o sistema elétrico brasileiro está preparado para atender à demanda de energia por parte da população, como também está preparado para atender ao crescimento econômico do país esperado para os próximos anos. O que houve foi um problema no sistema de transmissão, tanto que restabelecida a operação, o país está funcionando dentro da normalidade do ponto de vista energético desde as 4h da manhã desta terça-feira”.

Fonte: Agência Brasil

Comentário:

O blecaute de terça feira causou uma série de problemas para os brasileiros dos 18 estados atingidos. E o governo, é claro, deve explicações. Entretanto, a imprensa não pode ficar utilizando o acidente para fazer oposição ao governo Lula, criando uma situação de caos nos telejornais e noticiários.

A verdade é que essa situação dá mais um fôlego para a oposição, pois ela ocorre num momento muito ruim para a candidatura demo-tucana. A pesquisa Vox Populi demonstra que o José Serra está em constante queda enquanto que a ministra Dilma continua crescendo. Como Dilma foi ministra das Minas e Energia no primeiro mandato do governo Lula a oposição quer tirar proveito - incentivada pela imprensa golpista. Mas, acredito que isso será mais um “tiro no pé” como foram os factóides Lina Vieira e a CPI da Petrobras. Pois, ninguém esqueceu do apagão na época de FHC, aqui.

Todos nós sabemos que o apagão de 2001 ocorreu em virtude da falta de planejamento, o Brasil não tinha energia suficiente (corríamos o risco de não termos luz por dois anos). Enquanto que agora a situação é bem diferente pois temos energia suficiente. Segundo o presidente Lula o seu governo é responsável por 30% de tudo o que foi feito em matéria de linhas de transmissão nos últimos 123 anos, aqui.

Portanto, tudo indica que o problema foi meteorológico e de sobrecarga de consumo no estado São Paulo. Dessa forma, não é apenas obrigação do governo Federal dar explicações sobre o problema. Cabe também ver a responsabilidade da Companhia Energética de São Paulo - CESP e do governador José Serra.


“Nós tivemos um problema meteorológico em Itaberá que levou à queda das três linhas de 750 quiloVolt (kV), o que significa dizer que perdemos a capacidade de transmitir metade da energia gerada por Itaipu. Deveria ter acontecido o ilhamento do problema para possibilitar o religamento do sistema. Mas como isto não aconteceu, aí o problema se estendeu para as duas linhas de corrente contínua que liga Itaipu a São Paulo. O que é preciso levantar é porque não entrou em operação o sistema chamado Erat que existe exatamente para levar ao ilhamento”.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Cidades brasileiras ficam sem energia

Apagão é destaque na mídia internacional - 11 de novembro

O apagão que atingiu diversas regiões do Brasil na noite desta terça-feira foi assunto dos principais sites da mídia internacional. Entre os veículos que cobriram o assunto, estão BBC e The New York Times, El País, CNN, Telegraph e a agência de notícia Assocated Press.

O apagão atingiu os Estados do Rio de Janeiro - o mais atingido -, parte de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e também o Paraguai em virtude de um desligamento completo da usina de Itaipu devido à falha das linhas abastecidas por Furnasna usina de Itaipu.

Com 20 unidades geradoras e 14 mil megawatts de potência instalada, a usina binacional de Itaipu fornece 19,3% da energia consumida no Brasil e abastece 87,3% do consumo paraguaio.

O New Yok Times, a BBC e a AP citam que as duas maiores cidades brasileiras foram atingidas pelo apagão. O espanhol El País aborda que milhões de pessoas foram afetadas. A rede de notícias CNN deu destaque em sua programação com um boletim urgente sobre a fala de energia.

Segundo o ministro, Itaipu já voltou a ser reenergizada e causas atmosféricas podem ter gerado o apagão. "Imagina-se que uma tempestade de grande intensidade possa ter contribuído para desligar as linhas de Itaipu e, por consequência, outras linhas saíram de funcionamento". O ministro de Minas e Energia disse que o Operador Nacional do Sistema (ONS) procura as causas, mas afirma que o mais importante é ressaltar o fornecimento de energia, do que descobrir os motivos da falha.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4094186-EI306,00.html


Pesquisa Vox Populi: Serra 36%, Dilma 19%

Pesquisa do Vox Populi que acaba de ser divulgada pelo Jornal da Band mostra que José Serra lidera a corrida presidencial, seguido pela ministra Dilma Rousseff.

Serra passou de 40% para 36%.

Dilma passou de 15% para 19%.

Ciro passou de 12% para 13%.

Marina passou de 5% para 3%.

Heloisa Helena, incluída nessa pesquisa, apareceu com 6%.

A taxa de rejeição de Serra é de 11%, a de Dilma está em 12%.

Dos entrevistados, 55% estão longe de se decidir em quem vão votar.

A taxa de aprovação do presidente Lula passou de 65% para 68%.

A margem de erro é de + ou - 2,4%


Copiada Do Vi o Mundo


domingo, 1 de novembro de 2009

Aécio Neves não consegue esconder...

No dia 06 de Agosto de 2004 foi distribuído nas ruas do centro de Belo Horizonte pela Coordenação Intersindical dos Servidores Públicos Estaduais um Artigo denunciando o governador Aécio Neves e os veículos de comunicação mineiros por não publicar e distorcer os fatos que não eram do agrado do governo.

“Essa censura já foi denunciada diversas vezes pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais que, inclusive, acionou o Ministério Público Federal, para que este apure possível crime de responsabilidade dos veículos e do governo de Minas por infringirem o artigo 5º da Constituição Federal de 1988. Esse artigo estabelece em seu inciso IX que "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença", combinado com o inciso XIV, que determina que "é assegurado a todos o acesso à informação".

Entretanto, apesar da blindagem que a imprensa mineira faz no Aécio Neves, nem tudo fica em “baixo do tapete”.

O Blog do Juca Kfouri revelou que o governador tucano, domingo passado, agrediu a namorada dando um tapa e um empurrão. Vão dizer que a informação é falsa, mas o José Serra já está rindo a toa.



Do Blog do Juca Kfouri

Covardia de Aécio Neves

Aécio Neves, o governador tucano de Minas Gerais, que luta para ter o jogo inaugural da Copa do Mundo de 2014, em Belo Horizonte, deu um empurrão e um tapa em sua acompanhante no domingo passado, numa festa da Calvin Klein, no Hotel Fasano, no Rio.

Depois do incidente, segundo diversas testemunhas, cada um foi para um lado, diante do constrangimento geral.

A imprensa brasileira não pode repetir com nenhum candidato a candidato a presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor, embora seus hábitos fossem conhecidos.

Nota: Às 15h18, o blog recebeu nota da assessoria de imprensa do governo mineiro desmentindo a informação e a considerando caluniosa.

O blog a mantém inalterada.


Honduras: mais uma vitória do Presidente Lula

Da Agência Carta Maior


Honduras: gol do Brasil

O Brasil sai com um trunfo e um triunfo na mão, contra todos os fantasmas que se ergueram no caminho, alegando que o Itamaraty estava deixando sua tradicional posição “equilibrada” para se envolver numa disputa que não era sua, como se democracias e ditaduras nas vizinhanças não nos dissessem respeito.

Foi o Secretário (equivalente a Ministro no Brasil) Thomas Shannon Jr. sair do banco de reservas e entrar em campo para Micheletti, o presidente golpista em Honduras, afinar e aceitar alguma forma de acordo. Pudera: além de levar para a área de Micheletti o risco dos EUA não reconhecerem a eleição de novembro sem um acordo com Zelaya, Shannon levava também por debaixo do pano a ameaça de que isso redundasse na retirada dos milhões de dólares da ajuda norte-americana ao país, cujo governo ficaria então, literalmente, pendurado no pincel e sem escada para descer, ameaçando esborrachar-se.

Mas não nos iludamos. Neste jogo perigoso o gol não foi norte-americano. O gol foi do Brasil, na verdadeira folha seca que foi, em curva pelo lado da barreira, como fazia Waldir Pereira, o imortal Didi, o acolhimento de Zelaya na nossa embaixada em Tegucigalpa. Os norte-americanos escaparam isso sim de marcar um gol contra, ameaçados que estavam de uma conivência velada com os golpistas por omissão, o que arruinaria de vez a política do presidente Barack Obama para a América Latina, além de mergulha-lo no descrédito.

Esse descrédito não seria apenas externo. Seria interno também. A partir de um fracasso de Obama na questão, os republicanos e seus lobistas mais à direita fariam gato e sapato com tudo o que o novo governo tentasse fazer, em qualquer frente, inclusive na área da saúde.
Aparentemente foi mais complicado negociar internamente no próprio governo norte-americano do que soltar a pelota na área de Micheletti e mandar escrever, senão o pau ia comer na pequena área.

Por seu lado, o Brasil sai com um trunfo e um triunfo na mão, contra todos os fantasmas que se ergueram no caminho, alegando que o Itamaraty estava deixando sua tradicional posição “equilibrada” para se envolver numa disputa que não era sua, como se democracias e ditaduras nas vizinhanças não nos dissessem respeito. Junto com a aprovação da entrada da Venezuela na Comissão de Relações Exteriores do Senado, esse acordo em Tegucigalpa, possibilitando que Zelaya deixe a embaixada para o Palácio Presidencial, ou pelo menos encaminhando a questão nesse sentido, é uma grande vitória para o governo e sua política interna e externa. “O Brasil estava certo”, é o que se pode ler nas entrelinhas de qualquer noticiário. Foi a intervenção brasileira, acolhendo Zelaya, que abriu a oportunidade e ao mesmo tempo forçou os Estados Unidos a agirem.

Se os golpistas, apesar das repetidas juras de Micheletti em sentido contrário, atentassem contra a embaixada, os Estados Unidos e sua omissão seriam co-responsáveis pelo que viesse a ocorrer. E ficou mais uma vez comprovado que o Brasil tornou-se um jogador indispensável dentro dessas quatro linhas, que é a complicada quadratura do círculo da política regional e mundial.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Intelectuais fazem manifesto contra CPI do MST


O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Intelectuais do Brasil e do exterior divulgaram nesta sexta-feira, 23, um manifesto em defesa dos Movimento dos Sem-Terra (MST) e contra a CPI criada nesta semana para investigar supostas irregularidades na repasse de verbas públicas para a organização. De acordo com o documento, está em curso no Brasil "um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST". No fundo, diz o texto, "prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira".

Entre os signatários do manifesto aparecem os escritores Eduardo Galeano, do Uruguai, e Luiz Fernando Veríssimo. Também estão na lista o crítico literário e professor aposentado Antonio Candido, o cientista político Chico de Oliveira e o filósofo Paulo Arantes. Até o final da tarde de desta sexta-feira, cerca de cem pessoas já haviam assinado o manifesto, que está circulando por diversos países. Em Portugal ele ganhou a adesão do sociólogo Boaventura de Souza Santos, um dos ideólogos do Fórum Social Mundial.

O manifesto critica a cobertura dada pela mídia à destruição de um laranjal da empresa Cutrale por militantes do MST, semanas atrás, no interior de São Paulo. "A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo. Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça", diz o texto. E mais adiante acrescenta: "Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários, desejando produzir alimentos."

O manifesto foi redigido por um grupo de apoiadores do MST no Rio. Quando começou a circular ganhou rapidamente adesões em universidades brasileiras e do exterior. Segundo o sociólogo Ricardo Antunes, da Unicamp, um dos signatários do documento, o MST é respeitado internacionalmente como um dos movimentos sociais mais importantes do mundo. "É inaceitável a iniciativa de criminalizá-lo e empurrá-lo para a clandestinidade", disse ele ao Estado. "É inaceitável também que este Congresso, que chegou ao fundo do poço e cujo presidente tenta cercear o trabalho da imprensa, impedindo a divulgação de informações sobre sua família, se julgue no direito de policiar e tentar sufocar o movimento."

O texto endossa a tese defendida pela liderança do MST de que o principal objetivo da CPI é tirar do foco o debate sobre a revisão dos índices de produtividade no País, que estão em vigor desde 1975. "A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim disponível para a reforma agrária."

Leia a íntegra do manifesto

Manifesto em defesa do MST


Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais

As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.

Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.

Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.


Bloquear a reforma agrária


Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola - cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 - e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário é deslocado dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.

Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.

O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais, como única alternativa para a agropecuária brasileira.


Concentração fundiária


A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.

Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no 1º semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.


Não violência


A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.


É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.

Contra a criminalização das lutas sociais

Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.



Assinam esse documento:

Eduardo Galeano - Uruguai

István Mészáros - Inglaterra

Ana Esther Ceceña - México

Boaventura de Souza Santos - Portugal

Daniel Bensaid - França

Isabel Monal - Cuba

Michael Lowy - França

Claudia Korol - Argentina

Carlos Juliá - Argentina

Miguel Urbano Rodrigues - Portugal

Carlos Aguilar - Costa Rica

Ricardo Gimenez - Chile

Pedro Franco - República Dominicana


Brasil:

Antonio Candido

Ana Clara Ribeiro

Anita Leocadia Prestes

Andressa Caldas

André Vianna Dantas

André Campos Búrigo

Augusto César

Carlos Nelson Coutinho

Carlos Walter Porto-Gonçalves

Carlos Alberto Duarte

Carlos A. Barão

Cátia Guimarães

Cecília Rebouças Coimbra

Ciro Correia

Chico Alencar

Claudia Trindade

Claudia Santiago

Chico de Oliveira

Demian Bezerra de Melo

Emir Sader

Elias Santos

Eurelino Coelho

Eleuterio Prado

Fernando Vieira Velloso

Gaudêncio Frigotto

Gilberto Maringoni

Gilcilene Barão

Irene Seigle

Ivana Jinkings

Ivan Pinheiro

José Paulo Netto

Leandro Konder

Luis Fernando Veríssimo

Luiz Bassegio

Luis Acosta

Lucia Maria Wanderley Neves

Marcelo Badaró Mattos

Marcelo Freixo

Marilda Iamamoto

Mariléa Venancio Porfirio

Mauro Luis Iasi

Maurício Vieira Martins

Otília Fiori Arantes

Paulo Arantes

Paulo Nakatani

Plínio de Arruda Sampaio

Plínio de Arruda Sampaio Filho

Renake Neves

Reinaldo A. Carcanholo

Ricardo Antunes

Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira

Roberto Leher

Sara Granemann

Sandra Carvalho

Sergio Romagnolo

Sheila Jacob

Virgínia Fontes

Vito Giannotti

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O tom desrespeitoso da mídia com relação a Lula


Do Carta Maior


O ponto de saturação




Ataques ao governo Lula fazem parte da paisagem jornalística brasileira. Tornaram-se previsíveis como os acidentes geográficos; irremediáveis como o dia e a noite. Naturalizaram-se, a tal ponto que já se lê os jornais pulando essas ocorrências, como os olhos ignoram trechos vulgares de caminhos rotineiros. O que mais espanta, porém – e a cobertura da viagem do São Francisco reforça esse desconcerto - não é a crítica , mas o tom desrespeitoso desse jornalismo.


Com a aproximação das eleições de 2010, ansiedade pelo fracasso recrudesceu. A tal ponto ela se tornou caricatural que já aparecem os primeiros sintomas de saturação. O artigo é de Saul Leblon.




Por Saul Leblon



“Alojamento de Lula tem risoto, uísque e roda de viola até a madrugada.” Sob esse título auto-explicativo, a Folha [edição de 16-10] resumiu em uma retranca o espírito da cobertura oferecida aos seus leitores durante a viagem de três dias feita pelo Presidente Lula às obras de interligação de bacias do rio São Francisco, uma das mais importantes do seu governo.


O propósito de diminuir e tratar o assunto com escárnio e frivolidade se reafirmou em legendas de primeira página ao longo da visita. No dia 15-10, o jornal carimbava uma foto de Lula e da ministra Dilma Rousseff pescando no São Francisco, em Buritizeiro (MG), com a chamada: 'Conversa de Pescadores' . A associação entre a legenda e o discurso da oposição, para quem as obras são fictícias e a viagem, eleitoreira, sintetiza o engajamento de um jornalismo que já não se preocupa mais em simular isenção.


No dia 17, de novo na primeira página , o jornal estampa a foto do Presidente atravessando o concreto ainda fresco sobre a legenda colegial: ‘A ponte do rio que caiu’. A imagem de Lula equilibrando-se em tábuas improvisadas inoculava no leitor a versão martelada em toda a cobertura: trata-se de uma construção improvisada, feita a toque de caixa, com objetivo apenas eleitoreiro. É enfadonho dizê-lo, mas o próprio jornal se contradiz ao entrevistar Dom Luis Cappio, o bispo de Barra (BA), um crítico ferrenho da obra. Segundo afirmou o religioso ao jornal, ‘as obras avançam como um tsunami’. Sua crítica recai no que afirma ser a ‘marolinha’ das medidas - indispensáveis - de recuperação ambiental do rio. Diga-se a favor do governo que estas, naturalmente, serão de implementação mais lenta, na verdade talvez exijam um programa permanente.


Como o próprio bispo de Barra esclarece, não se trata apenas de promover o saneamento de esgotos e dejetos nas cidades ribeirinhas, como já vem sendo feito, ineditamente, talvez, na história dos rios brasileiros de abrangência interestadual. O resgate efeitvo do São Francisco passa também pela recuperação das matas ciliares, prevista nas obras, mas remete igualmente à recuperação de toda a ecologia à montante e para além dos beiradões, inclusive as veredas distantes onde estão nascentes, olhos d’água, lagoas de reprodução destruídos pela rapinagem madereira e carvoeira. Só quem acredita em milagres pode exigir, como faz Dom Cáppio, que um único governo reverta essa espiral de cinco séculos de omissão pública da parte, inclusive, daqueles que demagogicamente criticam as obras hoje como ‘uma ameaça ao velho Chico’.


O único acesso que a família Frias ofereceu aos leitores para que pudessem avaliar a verdadeira dimensão da obra ficou escondido na página interna da edição do dia 17, na belíssima foto que ilustra a página 12. Ali, um Lula solitário caminha por um gigantesco canal de concreto que rompe o horizonte até lamber o céu sertanejo. Há um simbolismo incontornável na imagem de um Presidente que se despede diluindo-se em uma obra gigantesca. Ela consagra seu retorno à terra de onde partiu como retirante e para onde voltou, Presidente, levando água a quem não tem - compromissos mantidos, apesar de tudo.


A solenidade da foto contrasta com o tom de adolescência abusada da cobertura, o que impediria o jornal de utilizar a imagem na primeira página, embora do ponto de vista estético e jornalístico ela fosse muito superior à escolhida. Tanto que o editor da página 12 não se conteve e abriu cinco colunas para a fotografia.


Ataques ao governo Lula fazem parte da paisagem jornalística brasileira. Tornaram-se previsíveis como os acidentes geográficos; irremediáveis como o dia e a noite. Naturalizaram-se, a tal ponto que já se lê os jornais pulando essas ocorrências, como os olhos ignoram trechos vulgares de caminhos rotineiros.


O que mais espanta, porém – e a cobertura da viagem do São Francisco reforça esse desconcerto - não é a crítica , mas o tom desrespeitoso desse jornalismo. Nesse aspecto não houve rigorosamente qualquer evolução após seis anos em que todos os preconceitos contra Lula foram desmoralizados na prática. A retomada do crescimento com inflação baixa e maior equidade social, por exemplo, distingue seu governo positivamente da paz salazarista imposta pela ortodoxia tucana no segundo mandato de FHC. A popularidade internacional do chefe de Estado brasileiro constitui outro fato sem precedente, só suplantado, talvez, pela velocidade da recuperação da nossa economia em meio à maior crise do capitalismo desde 1930. Tudo desautoriza as previsões catastróficas das viúvas provincianas do tucano poliglota.


Mas se a realidade desmentiu o preconceito, em nenhum momento a mídia conservadora deu trégua a um indisfarçável desejo de vingança que pudesse comprovar a pertinência de uma rejeição de classe ao governo Lula . Com a aproximação das eleições de 2010, a ansiedade pelo fracasso recrudesceu. A tal ponto ela se tornou caricatural que já aparecem os primeiros sintomas de saturação.


Em artigo publicado no Estadão [19-10] o físico José Goldemberg, por exemplo, um quadro de extração tucana, saiu em defesa da construção de hidrelétricas pelo governo Lula, objeto de críticas estridentes de um jornalismo que prefere esquecer a origem do apagão em 2001/2002. Na área da saúde, o respeitado cardiologista Adib Jatene, que já foi secretário de Paulo Maluf mas supera qualquer viés político pela inegável competência científica e discernimento público, tem vindo a campo com freqüência defender a necessidade de um novo imposto, capaz de mitigar o estrago causado à saúde pública pela revogação da CPF. Mais uma ‘obra coletiva’ assinada pela mídia e a coalizão demotucana.


O economista Luiz Carlos Bresser Pereira, do staff serrista, foi outro a manifestar seu desagrado com o estado das coisas. Bresser, que já defendeu abertamente o projeto de Lula para o pré-sal, rechaçou a demonização do MST articulada pela mídia e ruralistas, por conta da derrubada de laranjeiras em terras públicas ocupadas pela Cutrale [artigo na Folha 19-10]. Pode ser apenas miragem do horário de verão, mas o que essas manifestações parecem indicar é uma rebelião da inteligência –ainda que avessa ao PT - contra a a idiotização da agenda nacional promovida pelo jornalismo demotucano.


A patogenia infelizmente não é privilégio brasileiro. Na Argentina, o cerco da grande imprensa ao governo Cristina Kirchner recorre a expedientes idênticos de mentiras, fogo e fel . Com Morales, na Bolívia, não tem sido diferente. Na Venezuela, há tempos, o aparato midiático tornou-se paradigma de um engajamento que atravessou o Rubicão do golpismo impresso para se incorporar fisicamente à quartelada que quase derrubou Chávez em 2002 . Enganam-se os que enxergam aí também a evidência de uma fragilidade congênita à democracia latinoamericana. Acima do Equador as coisas não vão melhores. O democrata Barack Obama é vítima de um cerco raivoso e racista de jornais e redes, como é o caso da Fox, do direitista Rupert Murdoch que detém também o Wall Street Journal.


A repetição e o alcance dos mesmos métodos e argumentos nas mais diferentes latitudes parece indicar que estamos diante de um fenômeno de recorte histórico mais geral. O fato é que o conservadorismo está acuado em diferentes fronteiras após o esfarelamento econômico e político do credo neoliberal. A falência dos mercados financeiros desregulados na maior crise do capitalismo desde 1930 já é reconhecida, à direita e à esquerda, como um novo divisor histórico. Corroído em seus alicerces de legitimidade pela falência de empresas, famílias e bancos, ademais do recrudescimento do desemprego e da insegurança alimentar - inclusive nas sociedades mais ricas - o conservadorismo vê sua base social derreter. A radicalização do seu ‘braço midiático’ soa como uma tentativa derradeira de reverter o processo ainda nos marcos da democracia, desqualificando o adversário mais próximos formado por partidos e governos progressistas. A radicalização é proporcional à ausência de um projeto conservador alternativo a oferecer à sociedade.


Abre-se assim uma etapa de absoluta transparência, uma radicalização aberta; um embate bruto de forças em que a mídia dominante não tem mais espaço para esconder os interesses que representa. Tampouco parece ter pejo em descartar uma neutralidade – que, diga-se, a rigor nunca existiu - mas da qual sempre se avocou guardiã para descartar a democratização efetiva dos meios de comunicação. A isenção parece, enfim, não representar mais um valor passível sequer de ser simulado.


A diferença entre o que acontece no caso brasileiro e o resto do mundo é o grau de envolvimento do governo na reação em sentido contrário a essa ofensiva. A liberdade de informação e o contraditório aqui respiram cada vez mais por uma rede de blogs e sites de gradiente ideológico amplo, qualidade crescente e capacidade analítica incontestável. Mas ainda de alcance restrito. O protagonismo do governo e o dos partidos e sindicatos que poderiam ir além na abrangência de massa, é tíbio. Na Venezuela não é assim. Na Bolívia – que acaba de criar um grande jornal diário de recorte progressista-- não está sendo. Na Argentina onde foi votada uma lei de comunicação que desmonta a estrutura monopolista do conservadorismo midiático, caminha-se também sobre pernas da urgência. Acima da linha do Equador a contundência das respostas oficiais destoa igualmente do acanhamento brasileiro. Na verdade, talvez a caracterização mais dura da decadência dos princípios liberais na mídia tenha partido justamente dos porta-vozes do governo Obama, Anita Dunn, Diretora de Comunicações do Presidente e David Axelrod,principal assessor de comunicação do democrata.


"A rede Fox está em guerra contra Barack Obama (...) não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha é jornalístico. Quando o presidente fala à Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita. O presidente já sabe que estará debatendo com um partido da oposição", resumiu recentemente a atilada Diretora de Comunicações da Casa Branca. Numa escalada de entrevistas e disparos cuidadosamente arquitetados, Dunn e Axelrod falaram alternadamente a diferentes segmentos midiáticos de todo o país. E o fizeram com o mesmo propósito de colocar o dedo numa ferida chamada Rupert Murdoch. "Mr. Rupert Murdoch tem talento para fazer dinheiro, e eu entendo que sua programação é voltada a fazer dinheiro. Só o que argumentamos é que [seus veículos] não são um canal de notícias de verdade. Não só os âncoras, mas a programação toda. Não é notícia de verdade, mas é a pregação de um ponto de vista. E nós vamos tratá-los assim ", bateu Axelrod em seguida ao ataque de Anita Dunn.


O guarda-chuva dos ataques a Obama têm como alvo o projeto de reforma do sistema de saúde, que, entre outras medidas, quer colocar sob responsabilidade do Estado cerca de 50 milhões de norte-americanos hoje ao desabrigo de qualquer cobertura.


A defesa do livre mercado na saúde é só a ponta do iceberg do ataque midiático. Por trás desse biombo o que se move é uma engrenagem endogâmica em que se entrelaçam o fanatismo e o dinheiro da direita republicana, postados dentro e fora da mídia. Sua meta é clara: desconstruir e imobilizar o sucessor de George W. Bush. Não há muita diferença entre o que se passa nos EUA e a divisão de trabalho observada no Brasil, onde as rádios chutam o governo Lula abaixo da linha da cintura; os jornalões desgastam e denunciam, enquanto a Globo faz a edição final no JN, transformando o boa noite diário da dupla Bonner & Fátima uma espécie de ‘meus pêsames, brasileiros pelo governo que escolheram; não repitam isso em 2010’.


No caso dos EUA, um país visceralmente conservador e racista não há , a rigor, grande surpresa pelos ataques da Fox & Cia a um Presidente negro e democrata. O que surpreende, de fato, é que Obama está reagindo. E o faz com um grau de contundência que, oxalá, sirva de inspiração para que um dia também possamos ouvir nos trópicos um porta-voz do Presidente Lula dizer com igual limpidez e serenidade, sem raiva, mas pedagogicamente: "A Folha está em guerra contra Lula(...) não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha é jornalístico. Quando o Presidente fala à Folha já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita. O Presidente já sabe que estará debatendo com um partido da oposição."

Fotos: Blog do Planalto

domingo, 18 de outubro de 2009

Lina Vieira desmentindo Lina Vieira

Essa armação do PIG e da oposição contra Dilma é no mínimo vergonhosa, pois nada que a ex-secretária diga se sustenta. Basta olharmos para o depoimento de Lina Vieira à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, no dia 18 de agosto, para verificarmos que ela está se contradizendo.

Vejam os vídeos:

Neste, Lina Vieira afirma que não lembrava do dia que esteve com a ministra porque isso não constou da sua agenda pessoal.

Qual é o tamanho da mala dessa Srª? Dois meses para encontrar uma agenda?


Aqui, Mercadante desmonta a mentira da data lembrando que no dia 09 de outubro Lina esteve com a ministra tratando do FORUM DE CEOs, que se realizaria no dia 10 de outubro.


É importante observar que ela lembrou que teve um encontro em São Paulo, no dia 09 de outubro, para tratar do FORUM DE CEOs, mas não lembrou de ter conversado sobre o referido assunto com a ministra. Se foi um assunto diferente do que iria ser tratado, que provocou estranheza, é obvio que deveria ter ficado gravado na memória.


Entretanto, lembrando do questionamento do Senador Wellington Salgado, ela não conseguiu dizer o dia, a hora e, principalmente,.em qual encontro aconteceu o tal diálogo. Hora, se foi num encontro agendado era muito fácil de lembrar esses dados.


Por último, nada mais elucidativo do que a presença do publicitário Alexandre Firmino, ex-ministro de FHC e amigo de José Agripino (DEM-RN), dando instruções à esposa.


Lina Vieira 2 – O Retorno da Mentira

Esta semana a Veja lança mais um de seus ataques inescrupulosos contra a Ministra Dilma Roussef, endossado pela, também sem credibilidade, Folha de São Paulo.


Trata-se de querer reavivar o factóide Lina Vieira, aquela que depois de não conseguir provar o que estava dizendo ficou por dois meses sem aparecer nos panfletários político-partidários dos demo-tucanos.


O incrível é que somente agora, a Senhora Lina Vieira, conseguiu encontrar a “agenda perdida”, onde estava “escrito à mão a data” da sua reunião com a Ministra Dilma.


Na época, Lina dizia que não lembrava o dia, tinha perdido a agenda, mas que a reunião talvez tivesse acontecido em 19 dezembro. Nem sequer sabia dizer em qual horário havia ocorrido o encontro.


Agora, diz que a tal agenda apareceu e que a data do encontro é 09 de outubro de 2008, e que teria ocorrido pela manhã, próximo ao horário do almoço, fora da relação de compromissos oficiais da ministra.


É importante lembrar que essa data estava entre as que foram confirmadas, em 28 de agosto, pelo Palácio do Planalto, quando informou os dias em que Lina esteve por lá. Depois de saber os dias, ficou mais fácil acrescentar as mentiras.


Por que reeditar mentiras?


As razões pelas quais esses abutres da miséria reiniciaram os seus ataques sorrateiros contra Dilma podem ser explicadas pelos últimos acontecimentos ligados a Lula e aos lances dados pela ministra, articulando sua própria candidatura e até mesmo a recuperação da sua saúde (que tem possibilitado ampliar sua agenda).


Observem com atenção o artigo de Paulo Moreira Leite.



Do Blog Paulo Moreira Leite


Reportagem publicada neste final de semana diz que, tres meses depois da explosão do escândalo, a agenda pessoal da ex-secretaria da Receita Lina Vieira apareceu entre seus pertences transportados para Natal.

Conforme a reportagem, de Alexandre Oltramari, que não teve acesso a própria agenda, mas escreve bom base no relato de uma pessoa próxima da ex-secretária, no dia 9 de outubro a agenda contém a seguinte frase: “Dar retorno a ministra sobre Família Sarney.”

De acordo com Oltramari, teria ocorrido neste dia, portanto, a data da célebre reunião no Planalto na qual, conforme Lina Vieira, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff teria lhe solicitado para dar agilidade às conclusões de um inquérito sobre Fernando Sarney.

Não é a primeira vez em que surge, da parte de Lina Vieira, uma referência a essa data como o dia possível para a reunião. Na vez anterior, perguntada sobre 9 de outubro, ela disse: “Não, não.”

Isso ocorreu no depoimento à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em agosto deste ano. Quem tocou no assunto foi Aloizio Mercadante, que perguntou a Lina Vieira quantos encontros ela tivera com Dilma durante sua passagem pela receita. Lina respondeu que foram três, no máximo. Vamos ler as notas taquigráficas:

SENADOR ALOIZIO MERCADANTE (PT-SP): No máximo, três. Bom, o que eu tenho aqui é que, no dia 14 de agosto, a senhora teve uma audiência; no dia 9 de outubro, a senhora teve uma audiência, tratando do fórum de CEOS, que se realizaria no dia 10 de outubro; no dia 22 de janeiro, a senhora teve uma audiência com a presença da Ministra Dilma; no dia 16 de fevereiro, a senhora teve uma audiência com a Ministra Dilma; no dia 6 de maio, a senhora teve uma audiência com a Ministra Dilma; no dia 19 de maio, a senhora teve audiência com a Ministra Dilma para citar algumas, é muito mais do que duas, três. (…)

SRA. LINA MARIA VIEIRA: Não, não. Pode até constar da agenda, mas eu tive um encontro em São Paulo, no dia 9 de outubro, no dia 10. Eu viajei no dia 9 para essa reunião de CEOS, foi em São Paulo essa reunião. Depois eu tive um encontro para tratar da Minha Casa, Minha Vida.

A presença de Lina Vieira no Planalto, em 9 de outubro, encontra-se nos registros da segurança do Palácio e foi a partir deles que Mercadante colocou a questão. A assessoria de Dilma Rousseff, que desmente sequer que tenha conversado com a ex-secretaria sobre os problemas de Fernando Sarney com o fisco, sustenta que naquele dia ela foi ao Palácio para planejar com auxiliares da ministra a participação no forum do CEOS, uma atividade conjunta com o governo dos Estados Unidos.

Como o leitor há de se recordar, quando as primeiras reportagens sobre esse encontro Dilma-Lina foram publicadas, observadores políticos diziam que havia ocorrido uma troca: o governo mandava aliviar os problemas do filho para facilitar a ascenção do pai na caminhada para conquistar a presidência do Senado. O problema é que em 9 de outubro as articulações pela escolha do novo presidente do Senado nem haviam começado. A possível candidatura Sarney não fazia parte das conversas.(grifo meu)

Depois de 9 de outubro, a data seguinte para o possível encontro é 22 janeiro de 2009 — quando seria tarde demais.

Nas semanas anteriores a 9 de outubro a revista Época publicara reportagens sobre os problemas do filho de Sarney com o fisco. Pelo menos um jornal fez a mesma coisa. Depois dessas reportagens, Lina Vieira e seu chefe, o ministro da Fazenda Guido Mantega, conversaram sobre o assunto. O ministro estava incomodado com a quebra do sigilo fiscal das empresas de Fernando Sarney durante uma investigação da Polícia Federal.


Até agora, o encontro entre Guido Mantega e Lino Vieira para tratar do assunto é a única reunião que duas partes admitem ter ocorrido.

Filme sobre Lula pode ter o maior lançamento do cinema brasileiro

Copiado do Blog "Brasil, mostra tua cara!"




Estreia será em 400 salas, com 88 fora do circuito convencional, e haverá ingresso a preço popular nos sindicatos

por Julia Duailibi

Ainda surfando no anúncio dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e nos sinais de retomada do crescimento econômico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara-se para colecionar mais dividendos políticos, dessa vez nas telas do cinema e em pleno ano eleitoral, quando todos os esforços estarão voltados para eleger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua sucessora.

Lula, o Filho do Brasil, cinebiografia sobre o petista, será lançado em 1º de janeiro de 2010 com uma estratégia de distribuição que tem como objetivo torná-lo um dos maiores lançamentos do cinema nacional, desde a retomada da produção cinematográfica do País, em 1995. Para isso, a produção recorrerá a tradicionais bases de sustentação política de Lula, como sindicatos, e a regiões onde ele tem alta popularidade, como no Nordeste. Um universo de 10 milhões de pessoas sindicalizadas poderá comprar ingressos a preços populares para assistir ao filme, que pretende chegar aos rincões do País em 2010.

A estreia será feita em mais de 400 salas, sendo que 88 delas não fazem parte do circuito convencional. O objetivo é levar o filme para públicos populares, fora do mercado consumidor tradicional. O lançamento chegará a 19 salas que não fazem parte do parque exibidor de 1ª linha no Nordeste, em cidades como as baianas Alagoinhas e Santo Antonio de Jesus, a cearense Maracanaú e a pernambucana São Lourenço da Mata.

Aproveitando a alta popularidade de Lula no interior, a ideia é levar o filme para capitais fora do circuito tradicional, como Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Palmas (TO) e Macapá (AP). A cidade de Garanhuns, na região onde nasceu Lula, receberá cópias para exibição em duas salas, já no lançamento.

Serão feitas "para lá de 300 cópias" da cinebiografia, que conta os primeiros 35 anos da vida do presidente, do nascimento até a transformação dele em líder sindical, segundo Bruno Wainer, presidente da Downtown Filmes, que ao lado da Europa Filmes é responsável pela distribuição.

Lula, o Filho do Brasil fugiu do padrão nacional de financiamento de obras cinematográficas, baseado na renúncia fiscal. Causou polêmica no mercado, ao conseguir bancar a produção, de R$ 12 milhões, com dinheiro de empresas que não se beneficiaram de nenhuma lei de incentivo fiscal. Há construtoras, montadoras e outras empresas que não são tradicionais investidoras do setor - algumas têm contratos com o governo.

"Para chegar a 400 salas, vão ter de entrar pesado no interior", disse Luiz Severiano Ribeiro, diretor do Grupo Severiano Ribeiro/Kinoplex, que detém 200 salas de cinema. Os produtores, no entanto, acham ser possível chegar a 500 salas - Se Eu Fosse Você 2, campeão de público desde 1995, foi lançado em 315 e teve 6,1 milhões espectadores.

Ligadas ao governo Lula, CUT e Força Sindical negociaram promoções para a exibição. "O filme interessa a todo mundo, mas o público principal é o sindical", disse Wainer. A ideia é que sindicatos ligados às centrais vendam ingressos antecipados, até 20 de dezembro, por R$ 5. O DVD do filme também deve chegar ao mercado a preço popular (R$ 10). "Pensamos em números nunca antes atingidos no Brasil", afirmou Wilson Feitosa, diretor-geral da Europa Filmes. O plano é que parcerias com sindicatos e fundos de pensão ajudem a vender mais de 1 milhão de cópias.

Produtores e distribuidores querem pegar carona na história de Lula e transformar o filme, dirigido por Fábio Barreto, no mais visto da história do cinema nacional. Avaliam que a produção pode chegar a 20 milhões de pessoas. "Quando o Barreto (Luiz Carlos Barreto, pai de Fábio e produtor) fala 20 milhões, é um balão de ensaio. A expectativa do mercado é que esse filme tenha entre 4 e 5 milhões de espectadores. Já sai de um patamar alto. A expectativa de divulgação grande. É até possível que se pague", afirmou Paulo Sérgio Almeida, cineasta e diretor da Filme B, empresa que faz análises do setor.

Para o filme ter entrada junto ao público de baixa renda, onde o presidente é bem avaliado, o preço do ingresso precisa cair. Recente paper da Universidade de Georgetown sobre o mercado cinematográfico no Brasil aponta o preço dos ingressos como entrave para o crescimento do setor. "A gente tentou antecipar o vale-cultura", disse a produtora Paula Barreto, referindo-se ao programa que prevê isenção de Imposto de Renda a empresas que bancarem vale para trabalhadores gastarem em cultura.

A oposição ao governo Lula tem visto com reticências a estreia do filme justamente em ano eleitoral. Duda Mendonça, ex-publicitário de Lula, chegou a dar sugestões sobre a produção. Ao ver uma versão, sugeriu que fosse retirado trecho em que uma professora de Lula diz que ele é "muito especial". Para Duda, a passagem deixaria "chapa branca" o filme, que será transformado em minissérie - a Globo está na negociação.

Os envolvidos com a cinebiografia negam que ela vá ajudar politicamente Lula ou o PT. "Ninguém é petista aqui. Não fizemos por razões ideológicas", disse Wainer. "A história é incrível, independentemente de você votar nele." Questionado sobre o lançamento em ano eleitoral, afirmou: "O Brasil está em eleição quase todos os anos."

Produtores contam que até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quis "estrelar" o filme. Ao encontrar o diretor, o tucano brincou, dizendo que faltava seu personagem na cena do velório da mãe de Lula. Na ocasião, FHC estava ao lado do então líder sindical.

FIDEL: UM PRÊMIO NOBEL PARA EVO

Copiado do Vi o Mundo

UM PRÊMIO NOBEL PARA EVO

por Fidel Castro, na Agencia Cubana de Notícias

Se a Obama lhe foi outorgado o Prêmio por ganhar as eleições em uma sociedade racista, apesar de ser afro-americano, Evo é merecedor dele por ter ganho as eleições em seu país, apesar de ser indígena, e ainda cumprir o prometido.

Pela primeira vez em ambos os países um ou outro de sua etnia chega à Presidência.

Mais de uma vez chamei a atenção para o fato de que Obama era um homem inteligente, educado num sistema social e político no qual crê. Deseja estender os serviços de saúde a quase 50 milhões de norte-americanos, tirar a economia da profunda crise que padece e melhorar a imagem dos Estados Unidos, deteriorada pelas guerras criminosas e as torturas. Não imagina, nem deseja nem pode mudar o sistema político e econômico de seu país.

O Prêmio Nobel da Paz tem sido conferido a três Presidentes dos Estados Unidos, um ex-presidente e um candidato a Presidente.

O primeiro foi Theodore Roosevelt, eleito em 1901, dos Rough Riders (jóqueis duros), quem desembarcou em Cuba seus jóqueis, mas sem cavalos, no período da intervenção dos Estados Unidos em 1898 para impedir a independência de nossa Pátria.

O segundo foi Thomas Woodrow Wilson, que introduz os Estados Unidos na primeira guerra pela partilha do mundo. No Tratado de Versalhes impôs condições tão severas à vizinha Alemanha, que criou as bases para o nascimento do fascismo e o estalo da Segunda Guerra Mundial.

O terceiro é Barack Obama.

Carter foi o ex-presidente a quem vários anos depois de ter finalizado seu mandato lhe foi outorgado o Prêmio Nobel. Sem dúvidas, um dos poucos Presidentes desse país incapaz de ordenar o assassinato de um adversário, como fizeram outros; devolveu o Canal ao Panamá, criou o Escritório de Interesses em Havana, evitou cair em grandes déficits orçamentários e esbanjar o dinheiro em benefício do complexo militar industrial, como fez Reagan.

O candidato foi Al Gore, que tinha sido vice-presidente; o político norte-americano com maior conhecimento sobre as terríveis conseqüências da mudança climática. Mais para frente, quando foi eleito candidato à Presidência, foi vítima da fraude eleitoral e despojado da vitória, por W. Bush.

As opiniões sobre a entrega deste Prêmio têm sido muito divididas. Muitos partem de conceitos éticos ou refletem contradições evidentes na imprevista decisão.

Haveriam preferido esse Prêmio como fruto de uma tarefa realizada. Nem sempre o Prêmio Nobel da Paz foi entregue a pessoas merecedoras dessa distinção. Às vezes receberam-no pessoas ressentidas, auto-suficientes, ou pior ainda. Lech Walesa, ao conhecer a noticia exclamou com desprezo: “Quem, Obama? É muito rápido. Não tem tido o tempo suficiente para fazer alguma coisa”.

Em nossa imprensa e em CubaDebate, companheiros honestos e revolucionários foram críticos. Um deles salientou: “Na mesma semana em que foi outorgado o Prêmio Nobel da Paz a Obama, o Senado dos Estados Unidos aprovou o maior orçamento militar da história: 626 bilhões de dólares.” No Noticiário de Televisão, outro jornalista comentou: “O que fez Obama para merecer essa distinção?” Mais outros perguntaram: “E a guerra do Afeganistão e o incremento dos bombardeios?” São pontos de vista baseados nas realidades.

Desde Roma, o diretor de cinema Michael Moore pronunciou uma frase lapidária: “Parabens, presidente Obama, pelo Prêmio Nobel da Paz; agora, por favor, ganhe-o”.

Estou certo de que Obama concorda com a frase de Moore. Possui suficiente inteligência para compreender as circunstâncias que rodeiam o caso. Sabe que ainda não o ganhou esse Prêmio. Esse dia, de manhã, declarou: “Acho que não mereço acompanhar tantas personalidades transformadoras homenageadas com este Prêmio”.

Afirma-se que são cinco os membros do famoso comitê que outorga o Prêmio Nobel da Paz. Um porta-voz asseverou que foi por unanimidade. Corresponde fazer uma pergunta? O galardoado foi ou não consultado? Uma decisão dessa índole pode ser tomada sem antes a pessoa premiada ter sido advertida disso? Este não pode ser julgado moralmente de igual forma se conhecia ou não com antecedência a indicação para o Prêmio. O mesmo pode ser afirmado a respeito daqueles que decidiram premia-lo.

Talvez seja necessário criar o Prêmio Nobel da Transparência.

Por outro lado ninguém mencionou o nome de Evo.

É obvio que pela primeira vez na história da Bolívia, um autêntico indígena aimara exerce a presidência desse Estado, criado pelo Libertador Simon Bolívar depois da Batalha de Ayacucho, quando o último vice-rei da Espanha foi vencido pelo General Antonio José de Sucre.

A Bolívia possuía, então, 2 milhões 343 mil 769 quilômetros quadrados.

A sua população era integrada fundamentalmente pelos descendentes da civilização aimara-quíchua, cujos conhecimentos em diversas esferas assombram o mundo. Mais de uma vez tinham-se sublevado contra seus opressores.

Os oligarcas fratricidas e pró-imperialistas dos Estados vizinhos, apesar dos vínculos comuns de sangue e cultura, arrebataram à Bolívia 1 milhão 247 mil 284 quilômetros quadrados, mais da metade da superfície. É bem conhecido que ao longo dos séculos, o ouro, a prata e outros recursos da Bolívia eram extraídos pelos privilegiados donos de sua economia. Enormes jazidas de cobre, as maiores do mundo, e outros minérios lhe foram arrebatados depois da independência em uma das guerras promovidas pelos imperialistas britânicos e ianques.

Apesar disso a Bolívia conta com importantes jazidas de gás e de petróleo e possui, além disso, as maiores reservas conhecidas de lítio, minério muito necessário em nossa época para a armazenagem e uso da energia.

Evo Morales, camponês indígena muito pobre, transitou pelos Andes, juntamente com seu pai, antes de completar seis anos, pastoreando lhamas de um grupo indígena. Conduziam-nas durante 15 dias até o mercado onde as vendiam para adquirir os alimentos da comunidade. Respondendo a uma pergunta minha sobre aquela singular experiência, Evo me contou que durante a viagem “hospedava-se no hotel mil estrelas”, uma bela forma de fazer referência ao céu limpo da cordilheira onde por vezes são colocados os telescópios.

Naqueles duros anos de sua infância, a alternativa dos camponeses na comunidade onde nasceu, era o corte da cana-de-açúcar na província argentina de Jujuy, na qual às vezes uma parte da comunidade refugiava-se durante a safra.

Não muito longe de La Higuera, onde o Che, ferido e desarmado, foi assassinado no dia 9 de outubro de 1957, Evo, que tinha nascido no dia 26 desse mesmo mês no ano 1959, ainda não completara os 8 anos. Aprendeu a ler e a escrever em espanhol, caminhando até uma escolinha pública a cinco quilômetros da choça onde num rústico quarto viviam seus irmãos e seus pais.

Durante sua azarenta infância, onde quer que houvesse um professor, ali estava Evo. De sua raça adquiriu três princípios éticos: não mentir, não roubar, não ser débil.

Aos 13 anos o pai autorizou-o para que se mudasse para San Pedro de Oruro e estudar o bacharelado. Um de seus biógrafos conta que era melhor em Geografia, História e Filosofia do que em Física e Matemática. O mais importante é que Evo, para custear seus estudos, acordava às 02h00 para trabalhar como padeiro, construtor ou noutra atividade física. Freqüentava as aulas à tarde. Era admirado por seus companheiros os quais o ajudavam. Desde o primário aprendeu a tocar instrumentos de vento e foi trompete de uma prestigiosa banda de Oruro.

Ainda adolescente, organizou a equipe de futebol de sua comunidade, da qual foi o capitão.

O acesso à universidade não estava a seu alcance por ser indígena aimara e pobre.

Após ter concluído seu último ano de bacharelado, cumpriu o serviço militar e regressou a sua comunidade, localizada na altura da cordilheira. A pobreza e os desastres naturais obrigaram a sua família a emigrar para a zona subtropical de El Chapare, onde a mesma conseguiu obter um pequeno lote de terra. Seu pai morre em 1993 quando ele tinha 23 anos. Trabalhou duramente a terra, mas era um lutador nato, organizou todos os trabalhadores, criou sindicatos e com eles encheu vazios aos quais o Estado não prestava atenção.

As condições para uma revolução social na Bolívia foram criadas nos últimos 50 anos. No dia 9 de abril de 1952, antes do início de nossa luta armada, estalou a revolução nesse país com o Movimento Nacionalista Revolucionário de Victor Paz Estenssoro. Os mineiros revolucionários derrotaram as forças repressivas e o MNR tomou o poder.

Os objetivos revolucionários na Bolívia estavam longe de serem cumpridos. Em 1956, segundo as pessoas bem informadas, começou o declínio desse processo. Em 1 de janeiro de 1959 triunfa a Revolução em Cuba. Três anos depois, em janeiro de 1962, nossa Pátria foi expulsa da OEA. A Bolívia absteve-se. Mais tarde todos os governos, exceto o México, interromperam relações com Cuba.

As divisões do movimento revolucionário internacional fizeram-se sentir na Bolívia. Eram necessários ainda mais de 40 anos de bloqueio a Cuba, o neoliberalismo e suas desastrosas conseqüências, a Revolução Bolivariana na Venezuela e a ALBA; a Bolívia precisava de Evo e do MAS.

Seria longo sintetizar em poucas folhas sua rica história.

Apenas direi que Evo foi capaz de vencer terríveis e caluniosas campanhas do imperialismo, seus golpes de Estado e ingerência nos assuntos internos, defender a soberania da Bolívia e o direito de seu povo milenar a que sejam respeitadas seus costumes. “Coca não é cocaína”, disse ao maior produtor de maconha e o maior consumidor de drogas no mundo, cujo mercado tem sustentado o crime organizado que no México e custa anualmente milhares de vidas. Os maiores produtores de drogas do planeta são dois dos países onde estão as tropas ianques e suas bases militares.

Na armadilha mortal do comércio de drogas não caem a Bolívia, a Venezuela e o Equador, países revolucionários que, igual a Cuba, são membros da ALBA, sabem o que podem e devem fazer para levar a saúde, a educação e o bem-estar a seus povos. Não precisam de tropas estrangeiras para combater o narcotráfico.

A Bolívia leva adiante um programa de sonho sob a direção de um Presidente aimara que conta com o apoio do povo.

Em menos de três anos erradicou o analfabetismo: 824 mil 101 bolivianos aprenderam a ler e a escrever; 24 mil 699 fizeram-no em aimara e 13 mil 599 em quíchua; é o terceiro país livre de analfabetismo, depois de Cuba e da Venezuela.

Presta atendimento médico gratuito a milhões de pessoas que jamais o tinham recebido; é um dos sete países do mundo que nos últimos cinco anos conseguiu reduzir mais a mortalidade infantil, com possibilidades de cumprir as Metas do Milênio antes de 2015, e em uma proporção similar às mortes maternas; operou da visão 454 mil 161 pessoas, delas 75 mil 974 brasileiros, argentinos, peruanos e paraguaios.

Na Bolívia foi estabelecido um ambicioso programa social: todas as crianças das escolas públicas da primeira à oitava série, recebem uma doação anual para sufragar o material escolar que beneficia a quase dois milhões de alunos.

Mais de 700 mil pessoas maiores de 60 anos recebem um bônus equivalente a 342 dólares anuais.

Todas as mulheres grávidas e as crianças menores de dois anos recebem uma ajuda de aproximadamente 257 dólares.

Na Bolívia, um dos três países mais pobres do hemisfério, o Estado controla os principais recursos energéticos e minerais do país, respeitando e compensando cada um dos interesses afetados. Marcha com cuidado porque não deseja retroceder um passo. Suas reservas em divisas vão crescendo. Evo dispõe de não menos de três vezes mais do que dispunha ao início de seu governo. É dos países que melhor fazem uso da cooperação externa e defende com firmeza o meio ambiente.

Em muito pouco tempo se conseguiu estabelecer o Padrão Eleitoral Biométrico e já estão registrados aproximadamente 4,8 milhões de eleitores, quase um milhão mais do que o último padrão eleitoral, que em janeiro de 2009 totalizava os 3,8 milhões.

Em 6 de dezembro serão as eleições. Com certeza o apoio do povo a seu Presidente aumentará. Nada tem podido deter seu crescente prestígio e popularidade.

Por que não lhe é conferido o Prêmio Nobel da Paz?

Entendo sua grande desvantagem: ele não é presidente dos Estados Unidos,

Fidel Castro Ruz

Outubro 15 de 2009
4h25