Escrito por Gabriel Brito, da Redação - Colaborou Valéria Nader
A teoria é um pouco enevoada, talvez por ser proferida por gente de dentro e fora do campo, mas há um senso comum de que o jornalismo atravessa um (duradouro) momento de crise. Mesmo com tanto papel pra ser aproveitado, acusa-se a ‘crueldade’ das novas comunicações em tempo real, inúmeras ferramentas tecnológicas mais atrativas, o enxugamento das redações, a prevalência do departamento comercial sobre o editorial, a precarização da profissão.
Talvez seja tempo de se constatar mais uma falência de nossas comunicações, no sentido tradicional, isto é, no que tange a relação entre produtor e receptor da informação, a despeito, portanto, dos novos recursos à mão de qualquer cidadão mais interessado, engajado, conectado.
Acompanhando o desenrolar da mediação do Brasil e da Turquia no Irã, acerca das pressões comandadas pelas maiores potências pela aplicação de sanções ao país persa por supostamente esconder seus planos de alcançar a produção de armamento nuclear, há a impressão de que nossa mídia sofre de uma severa crise de identidade, daquelas que não nos permite saber de onde viemos ou aonde vamos ou quem mesmo somos.
"Amorim anuncia acordo nuclear com Irã", informa, tediosa, a Folha de S. Paulo em 17 de maio, para no dia seguinte se reconfortar: "Acordo nuclear com Irã não convence potências". Em suas páginas por esses dias, gastou linhas e mais linhas censurando a atuação de Lula, Celso Amorim e todos que fazem parte da política externa nacional. Goste-se ou não do presidente, é muito evidente que a atual diplomacia nacional é a mais ousada – e protagonista - dos últimos tempos. E assim vão ficando claras as orientações do jornal.
Também privilegiando o ponto de vista norte-americano, representado na figura de Hillary Clinton, o Estadão produziu uma pérola desse autêntico ‘jornalixo’, o verdadeiro ofício do jornalismo empresarial – conseqüentemente interesseiro. "Turquia diz que Irã aceitou acordo sobre o combustível", completando na edição seguinte com "Brasil festeja acordo nuclear, mas para EUA não muda nada".
A desfaçatez dos jornalões não encontra limites, sendo, sem meio termo, acompanhada de ostensiva má-fé. E não interessa se por ordem de donos, chefes, editores ou ‘peões’. Não satisfeitos em desqualificar e descaracterizar lutas sociais e trabalhistas do povo local, agora nossa mídia tenta apagar o próprio país das relações internacionais.
O mundo, principalmente o não-belicista, saudou a "intromissão desautorizada" de Brasil e Turquia, dispostos a dirimir as discordâncias entre o bloco chefiado pela potência imperialista, os iranianos e a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). A primeira manchete do Estadão supracitada conseguiu simplesmente omitir a participação brasileira na trama. Um feito histórico do folhetim dos Mesquita, talvez sem igual em jornal nenhum do mundo.
Entretanto, o açodamento cobrou seu preço. Veio a público carta do próprio punho de Barack Obama, escrita há alguns meses, transmitindo a Lula os pontos que deveriam ser exigidos ao Irã. Brasil e Turquia voltaram do encontro com um acordo que atendia plenamente aos pedidos dos cachorros grandes. Mas não houve, ainda assim, revisão de análise acerca da mediação tupiniquim. Mantinha-se a idéia de que o Brasil passou dos limites e jorraram textos dando conta das ambições políticas individuais de Lula em âmbito internacional, a fim de se justificar tanto ‘desprendimento’ de sua conduta.
A desfaçatez seria, no entanto, logo golpeada. Se o regime iraniano é visto como ameaça à segurança do Oriente Médio, uma vez que desrespeita valores básicos da democracia e persegue opositores, Israel é o grande aliado norte-americano, tida como um baluarte das liberdades do mundo civilizado. No entanto, não contavam com um deslize tão imediato do governo sionista para desmoralizar suas posições ‘humanistas’.
Dois pesos e duas medidas, descaradamente
Apesar de o assunto ter esmaecido em nossa mídia, há uma considerável e permanente mobilização internacional em favor dos palestinos enclausurados na Faixa de Gaza, intensificada após os massacres da virada de ano para 2009. Por conta disso, uma frota de ajuda humanitária internacional decidiu tentar romper o cerco ao estreito, uma vez que as condições de sobrevivência no local têm se degradado violentamente.
Tal bloqueio imposto pelo governo radical de Netanyahu já foi declarado como ilegal pela ONU, o que não impede os israelenses de mantê-lo, além de recrudescerem outras ações de enfrentamento, tal como a ampliação de assentamentos judaicos na Cisjordânia, território palestino. Mesmo em face de posicionamentos tão aviltantes, nossa chamada imprensa grande parece não ter ampliado seu campo de visão e interpretação dos fatos na cobertura dos ataques que vitimaram 1500 palestinos.
"Israel ataca barco humanitário e causa protestos pelo mundo", titulou a Folha, na terça, 1º de junho, ‘esquecendo-se’ que, além disso, ocorreram 10 assassinatos. Editorial do mesmo dia deixa, por sua vez, entrever claramente o lado escolhido pela publicação nessa guerra fratricida. O tom de lamento para com os ‘atos’ de Israel está bem mais associado às possíveis repercussões que a ‘pisada de bola’ pode ter para a imagem do estado sionista do que propriamente com o comprometimento do avanço do processo de paz e a questão humanitária aí envolvida. É como se advertisse o regime sionista a ‘pegar leve para não perder a razão’. O último parágrafo não deixa dúvidas quanto a esta conclusão.
Há, portanto, óbvia tergiversação sobre o processo de paz, utilizando-se o incansável argumento de que o Hamas é uma célula terrorista que não admite o Estado judeu, ainda que tenha vencido eleições reconhecidas pela ONU em Gaza. Isso além da perversidade de igualar os dois lados, como se fosse possível comparar o poderio de guerra, destruição e morte de cada parte. De quebra, concedeu-se enorme espaço para o embaixador israelense no Brasil, Giora Becher, deitar enorme argumentação para justificar o injustificável, isto é, mais uma ensandecida demonstração de força de seu país.
O embaixador ilustra bem o quanto Israel vive à margem de qualquer sensatez: bate na tecla do Hamas terrorista, apresenta estatísticas de ataques dos árabes e coroa suas colocações defendendo a reação de seu exército, que teria sido implacavelmente agredido por terroristas travestidos de ativistas, o que insulta a inteligência de qualquer espectador dessa trágica história.
Pois, pautando-nos pela nossa mídia, ficamos assim: o Irã merece, seguidamente, ser lembrado como um regime homicida. Aliás, Cuba também, pois sua ditadura tritura opositores que discordem de seus tiranos. Já Israel precisa apenas moderar seus passos, de modo a não se sujar diante da tão diligente comunidade internacional. Para os detentores da palavra, o Brasil também deveria parar de amolar os golpistas de Honduras, apesar da caça aos opositores (e jornalistas) prosseguir. Por outro lado, não têm nada a declarar sobre a ‘democracia’ de Uribe na Colômbia e as inequívocas ligações de sua corrente com o paramilitarismo. Nem a recém-descoberta fossa contendo 2000 cadáveres pôde tocar o coração de uma mídia que se diz bandeira da liberdade de expressão e da defesa dos direitos humanos.
Como se constata muito claramente, o sentido humanitário de nossa imprensa comercial é bastante seletivo. Resta compreender o que a orienta. Em todos os casos acima citados, com ênfase nas negociações nucleares com o Irã e nos assassinatos do exército israelense, seus analistas, especialistas e sobretudo editoriais coincidiram com as posições estadunidenses, proferidas majoritariamente pela Secretária de Estado Hillary Clinton. Basta voltar a folhear (ou navegar, para prestigiar sua ‘nova cara, mais moderna’) os respectivos diários.
A própria visita da primeira-dama ao Brasil expôs a situação de maneira cristalina. Ressaltaram-se mais as expectativas, e desejos, da visitante do que as posições defendidas pelo nosso país, que já mostrou algumas discordâncias marcantes com os ianques no que se refere à política externa e preferência pelo diálogo. Criticou-se visceralmente a visita do pária da pérsia Ahmadinejad, mas a visita de Netanyahu foi alvo de muita cortesia, com todo o espaço para seu discurso belicista e unilateral – e, claro, às mentiras que sustentam o genocídio no Oriente Médio.
Por fim, a suposta neutralidade foi desmascarada pelos próprios, especialmente na ‘Conferência de Comunicação patronal’ promovida pelo Instituto Millenium em março, onde os donos da mídia exclamaram o fato de a "oposição estar enfraquecida", assumindo que "devemos, portanto, fazer o contraponto ao governo". Ou seja, trabalhar pela candidatura Serra. Que para prosperar precisa impreterivelmente de algumas ‘barbeiragens’ de Lula.
E para expor ao povo a incompetência do presidente e de nossa política externa, vale até deixar de ser brasileiro. Essa aguçada crise, de identidade, pertencimento, origem, de nossa imprensa soma-se agora à já mais que conhecida inexistência de uma mídia isenta, comprometida com a função social da profissão. Até mesmo os críticos mais contumazes, de primeira hora, ficam consternados.
Gabriel Brito é jornalista.
Colaborou Valéria Nader, economista, editora do Correio da Cidadania.
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou na tarde deste domingo, 13, que “chegou a hora de uma mulher comandar o País”. Durante o evento que oficializou a ex-ministra para suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela afirmou: “Para ampliar e aprofundar o olhar de Lula, ninguém melhor que uma mulher na presidência da República”, afirma Dilma”.
Pouco antes, Lula fez duras críticas à oposição durante o lançamento da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Lula disse que “o bicho vai pegar” e que “as possibilidades de ganhar as eleições são totais, quase absolutas”. O palco da Convenção Nacional do PT neste domingo, 13, em Brasília (DF), foi estrategicamente ocupado por mulheres. Cerca de 1,5 mil militantes compareceram ao encontro.
A Convenção Nacional do PT fechou uma agenda de encontros partidários neste fim de semana, que começou com a festa de lançamento, em Salvador, de José Serra a presidente da República pelo PSDB, passando pela formalização do apoio do PDT à campanha petista, em São Paulo, e a confirmação de Michel Temer como candidato à vice na chapa de Dilma na convenção deste domingo, em Brasília.
ÍNTEGRA DO DISCURSO DE DILMA
Queridas companheiras e queridos companheiros,
Minha emoção é muito grande. Minha alegria também. Por esta festa tão cheia de energia, de confiança e esperança.
Sei que esta festa não é para homenagear uma candidata. Aqui se celebra, em primeiro lugar, a mulher brasileira! Aqui se consagra e se afirma a capacidade de ser – e de fazer – da mulher.
É em nome de todas as mulheres do Brasil – em especial de minha mãe e de minha filha – que recebo esta homenagem.
É também em nome delas que abraço esta missão conferida por meu querido partido, o PT, e pelos importantes partidos da nossa coligação.
A energia que move esta grande festa brasileira é a força do trabalho – e do sonho – de um povo que nunca se dobrou, sempre lutou e jamais perdeu a esperança. E que levou à Presidência um trabalhador, que provou que um novo Brasil é possível.
Um Brasil justo, forte, democrático e independente. Cheio de oportunidades para todas as brasileiras e todos os brasileiros.
Não é por acaso que depois deste grande homem, o nosso Brasil possa ser governado por uma mulher.
Por uma mulher que vai continuar o Brasil de Lula – mas que fará um Brasil de Lula com alma e coração de mulher.
Lula mudou o Brasil e o Brasil quer seguir mudando.
A continuidade que o Brasil deseja é a continuidade da mudança.
É seguir mudando, para melhor, o emprego, a saúde, a segurança, a educação.
É seguir mudando com mais crescimento e inclusão social para que outros milhões de brasileiros saiam da pobreza e entrem na classe média.
É seguir mudando para diminuir ainda mais a desigualdade entre pessoas, regiões, gêneros e etnias.
Queridas companheiras e queridos companheiros,
A distância entre o sonhar e o fazer pode ser bem mais curta do que se imagina, desde que a gente tenha coragem, competência e determinação.
Foi o que ocorreu neste governo, quando alcançamos conquistas que tantos julgavam impossíveis.
Vimos se confirmar o que o presidente Lula dissera no início do primeiro governo
“Vamos começar fazendo apenas o necessário. Depois, vamos fazer o possível e, quando menos se esperar, nós estaremos realizando o impossível”.
Quando me perguntam como isso aconteceu, respondo: foi porque trabalhamos com a cabeça e com o coração.
Foi porque trabalhamos primeiro, para as pessoas. E ao trabalharmos primeiro para as pessoas, produzimos resultados surpreendentes.
Quando perguntam como isto aconteceu, eu também respondo: foi porque soubemos abrir novos caminhos, quebrando antigos tabus.
O tabu mais importante que derrubamos foi o de que era impossível governar para todos os brasileiros.
Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram para um terço da população. Para muitos deles, o resto era peso, estorvo e carga.
Falavam que tinham que arrumar a casa primeiro. Falavam e nunca arrumavam. Porque é impossível arrumar uma casa deixando dois terços dos filhos ao relento, à margem do progresso e da civilização.
Resultado: o Brasil era uma casa dividida, marcada pela injustiça e pelo ressentimento, que desperdiçava suas melhores energias.
Nós, do governo do presidente Lula, fizemos o contrário. Chegamos à conclusão de que só fazia sentido governar se fosse para todos. E provamos que aquilo que era considerado estorvo era, na verdade, força e impulso para crescer.
Quebramos o tabu e provamos que incluir os mais fracos e os mais necessitados ao processo de desenvolvimento do país é um caminho socialmente correto, politicamente indispensável e economicamente estimulador.
Companheiras e companheiros,
Nós queremos e podemos fazer mais e melhor.
Para realizar esta grande tarefa não basta apenas querer. Ou dizer que vai fazer.
É preciso conhecer bem o Brasil, o governo e ter projetos que ampliem e acelerem o que está sendo feito.
É preciso, ainda, estar do lado certo e com a postura correta.
Dar prioridade e apoio aos que mais precisam, porém governando para todos os brasileiros e brasileiras.
É preciso acreditar no Brasil. Acreditar que podemos erradicar a miséria e nos tornar um país com uma das maiores e mais vigorosas classes médias do mundo.
Podemos alcançar isso porque somos um povo criativo e empreendedor; temos uma democracia sólida; um vibrante mercado interno; a maior reserva florestal e a mais limpa matriz energética do planeta; um parque industrial diversificado; uma agricultura forte; e desfrutamos de estabilidade econômica, agora com grandes reservas internacionais superiores a nossos compromissos externos.
Mas para ampliar o que conquistamos, precisamos reforçar o planejamento e a integração entre Estado e setor produtivo; governo e sociedade; União, estados e municípios.
Este trabalho conjunto terá como prioridades:
Educação de qualidade, dando seqüência à transformação educacional em curso – da creche a pós-graduação.
Isso significa:
Dar especial atenção à formação continuada de professores para o ensino fundamental e médio;
Fazer com que os professores tenham, pelo menos, o curso universitário e uma remuneração condizente com a sua importância;
Avaliar o aluno e as nossas escolas para garantir a qualidade do ensino fundamental e médio;
Espalhar a educação profissionalizante por todo o país, interiorizando o ensino técnico;
Garantir a qualificação do ensino universitário, com ênfase na pós-graduação;
Equipar as escolas com banda larga gratuita e assegurar bolsas de estudo e apoio aos alunos;
Enfim, formar jovens preparados para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.
Se eleita presidente, vou liderar, sem descanso, este processo.
Para o Brasil seguir mudando, para melhor, é fundamental promover um salto de qualidade na assistência universal promovida pelo SUS.
Nossas prioridades na saúde estarão baseadas em três pilares: financiamento adequado e estável para o Sistema; valorização das práticas preventivas; e organização dos vários níveis de atendimento, garantindo atendimento básico, ambulatorial e hospitalar de alta resolutividade em todos os estados brasileiros.
Também daremos prioridade ao desenvolvimento de fármacos, mobilizando para isso institutos de pesquisa, universidades e empresas do setor.
Para o Brasil seguir mudando para melhor, precisamos investir, ainda mais, em PESQUISA, INOVAÇÃO E POLÍTICA INDUSTRIAL.
O governo Lula foi o que mais investiu em pesquisa e inovação na história recente. Nossa meta é ampliar este esforço, focando os setores portadores de futuro – biotecnologia, nanotecnologia, agroenergia e fármacos, entre outros – e fortalecendo o tripé empresas privadas, institutos tecnológicos e redes universitárias de pesquisas.
Isso vai favorecer nosso parque industrial, nossa competitividade agrícola e nossas exportações.
Tudo que pode ser produzido de forma competitiva no Brasil, vai ser produzido no Brasil, gerando mais emprego e renda.
Para o Brasil seguir mudando, é preciso continuar investindo em INCLUSÃO DIGITAL.
A economia e a cultura contemporâneas exigem que toda a sociedade tenha acesso aos bens digitais.
Isso é fundamental para a construção de uma sociedade baseada no CONHECIMENTO.
Como Lula, quero continuar sendo a presidente da inclusão social, mas quero ser, também, a presidente da inclusão digital.
Para o Brasil seguir mudando, e a vida de seu povo ficar cada vez melhor, é preciso investir em SEGURANÇA PÚBLICA.
Isso exige uma ação planejada e concentrada de segurança nas áreas urbanas, a exemplo do que vem acontecendo com o Pronasci, e maior capacitação federal nas áreas de fronteira e de inteligência.
É preciso lutar contra o crime organizado. Contra o roubo de cargas. Contra o tráfico de armas e de drogas. Contra a praga destruidora do crack.
O crack avança sobre a população de forma devastadora.
É um crime contra a juventude, contra a família, contra a sociedade e contra a nação.
Mas vamos vencer essa guerra. E vamos vencer, como venho dizendo, com apoio, carinho e autoridade.
Para o Brasil seguir mudando, é preciso priorizar o PLANEJAMENTO URBANO, revigorando a meta de prover ACESSO UNIVERSAL AOS SERVIÇOS BÁSICOS e aumentar a PAZ SOCIAL.
Melhorar o ambiente das cidades é uma ação urgente e necessária, já iniciada com o PAC.
É hora de avançar ainda mais, ampliando o acesso ao esporte, ao lazer e a cultura; ao saneamento básico; a serviços de saúde de qualidade e a um transporte eficiente.
Para o Brasil seguir mudando, é preciso continuar investindo, maciçamente, EM INFRAESTRUTURA.
Vamos seguir estimulando, por meio do PAC, a parceria entre os setores público e privado e, assim, garantir investimentos que ampliem a competitividade de nossa economia.
Vamos construir e melhorar os portos, aeroportos, rodovias, ferrovias e hidrovias. Ampliar e garantir maior eficiência ao nosso sistema elétrico e aos nossos meios de transporte, incluindo o trem de alta velocidade e o transporte de carga.
Quero ser a presidente da consolidação da infraestrutura brasileira, completando o grande trabalho do presidente Lula.
Para o Brasil seguir mudando, precisamos vencer o DEFICIT HABITACIONAL já na década que se inicia.
Com o Minha Casa, Minha Vida abrimos um vigoroso caminho nesta direção. Garantimos subsídios que evitam o peso de financiamentos insuportáveis para os mais pobres. Mobilizamos o setor privado e simplificamos a burocracia do sistema.
Concebi e coordenei, a pedido do presidente Lula, este programa – portanto sei como avançar mais. E já temos pronto o projeto para mais 2 milhões de moradias.
Para o Brasil seguir mudando, temos que priorizar a ECONOMIA DE BAIXO CARBONO, consolidando o modelo de energia renovável que conquistamos.
É preciso incentivar projetos de reflorestamento em áreas degradadas e cumprir as metas que levamos à COP 15, em especial a de redução do desmatamento.
Ao mesmo tempo, incentivaremos a pesquisa e inovação de materiais e produtos de baixo carbono e de baixo consumo de energia.
Para o Brasil seguir mudando, temos que continuar modernizando a política de DESENVOLVIMENTO REGIONAL, reconhecendo as particularidades de cada região.
Quero ser, depois de Lula, a presidente da moderna integração regional do país, porque vejo em nossas regiões imensos celeiros de oportunidades.
Para o Brasil seguir mudando é preciso assegurar a estabilidade e continuar as reformas que melhoram o ambiente econômico, em particular a REFORMA TRIBUTÁRIA.
A nossa estrutura tributária é caótica, apesar de áreas de excelência na administração – e se não tivermos coragem de reconhecer isso, jamais faremos esta reforma tão urgente e necessária.
Entre outras coisas, investir na informatização de todo sistema de tributos para alargar a base da arrecadação e diminuir a alíquota dos impostos.
Outra grande meta é completar a desoneração do investimento, por seu forte efeito sobre as taxas de crescimento.
Para o Brasil seguir mudando, precisamos valorizar cada vez mais a nossa CULTURA.
Vamos ampliar a produção e o consumo de bens culturais com base em nossa diversidade e dar meios e oportunidades à criatividade popular.
Assim, alargaremos caminhos para que aflore a diversidade cultural brasileira, cuja riqueza e significado podem ser comparados ao da nossa biodiversidade.
A cultura é o espaço por excelência da alma e da identidade de um povo. É essencial para a construção de um sentido de nação.
Para o Brasil seguir mudando, precisamos aproveitar em benefício de todo o país as extraordinárias riquezas do PRÉ SAL, descobertas pela nossa querida Petrobrás.
Não podemos nos transformar num exportador de óleo cru. Ao contrário, devemos agregar valor ao petróleo aqui dentro, construindo refinarias e exportando derivados de maior valor.
O PRÉ SAL, como já disse o presidente Lula, é o nosso passaporte para o futuro. Seus recursos não devem ser gastos apenas para a geração presente. Devem formar uma robusta poupança para servir, a todas brasileiras e brasileiros, com investimentos em educação, cultura, meio ambiente, ciência e tecnologia e combate à pobreza.
Para o Brasil seguir mudando, precisamos APROFUNDAR A DEMOCRACIA, aperfeiçoando e valorizando nossas instituições.
Unir o melhor das nossas energias para fazer a REFORMA POLÍTICA.
Quero dizer com todas as letras aos partidos políticos e ao país: não dá mais para adiar esta reforma.
Ela é uma necessidade vital para corrigir equívocos, vícios e distorções. Para dar eficácia ao voto do eleitor e credibilidade à representação parlamentar. Para dar transparência às instituições e garantir mecanismos reais de controle ao cidadão. Para fortalecer os partidos, estimular o debate público e a participação popular.
A consolidação do estado democrático de direito passa, igualmente, pela garantia e manutenção de AMPLA LIBERDADE DE IMPRENSA e da livre circulação e difusão de idéias.
Exige, cada vez mais, a ampliação do direito à informação da população, com a multiplicação dos meios de comunicação. E que sejamos capazes de dar respostas abrangentes e inclusivas aos imensos desafios e às fantásticas possibilidades abertas pelo mundo digital, pela internet e pelo processo de convergência de mídias.
Para o Brasil seguir mudando, devemos AMPLIAR NOSSA PRESENÇA INTERNACIONAL, oferecendo ao mundo contribuições valiosas nas áreas ECONÔMICA, de MUDANÇAS CLIMÁTICAS e da PAZ MUNDIAL.
Seguiremos defendendo, de forma intransigente, a paz mundial, a convivência harmônica dos povos, a redução de armamentos e a valorização dos espaços multilaterais.
Em especial, precisamos seguir estreitando as relações com os nossos vizinhos e promovendo a integração da América do Sul e da América Latina, sem hegemonismos, sem querer abafar ninguém, mas com ênfase na solidariedade e no desenvolvimento de todos.
Além disso, precisamos manter nosso olhar especial para a África, continente que tanto contribuiu para a nossa formação.
Companheiras e companheiros,
Para o Brasil seguir mudando é preciso, acima de tudo, manter e aprofundar o olhar social do governo do nosso grande presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
É mais que simbólico que, nesse momento, o PT e os partidos aliados estejam dizendo: chegou a hora de uma mulher comandar o país.
Estejam dizendo: para ampliar e aprofundar o olhar de Lula, ninguém melhor que uma mulher na presidência da República.
Creio que eles têm toda razão.
Nós, mulheres, nascemos com o sentimento de cuidar, amparar e proteger.
Somos imbatíveis na defesa de nossos filhos e de nossa família.
Milhões e milhões de heroínas que homenageio nas figuras maravilhosas de Ilza de Nazaré, dona Raimunda dos Cocos, Giovana Abramovicz, Maria da Penha, Ivanete Pereira, Hildelene Lobato Bahia, Janaina Oliveira, Rose Marie Muraro e Maria da Conceição Tavares, que não pode comparecer, nossas convidadas especiais, exemplos vivos de luta e sensibilidade social.
E quando falamos de cuidado e amparo, estamos falando de saúde, educação, segurança e emprego.
De cuidar melhor dos mais velhos e dos mais jovens.
Estamos falando de construir, no mínimo, mais 500 unidades de pronto atendimento – as UPAs 24 horas. E mais 8.600 novas unidades básicas de saúde – as UBSs, em todo o país.
Estamos falando de construir seis mil creches e pré-escolas. De expandir e consolidar a rede de escolas técnicas, de centros de excelência do ensino médio e de nível superior, de centros de inovação científica e tecnológica. E de ampliar o ProUni.
Estamos falando de fortalecer todos os programas sociais, com carinho especial para o Bolsa Família.
Estamos falando de ampliar o emprego e melhorar o salário.
De continuar o grande trabalho que o presidente Lula está fazendo.
Estou convencida, minhas companheiras e meus companheiros, que os próximos anos serão decisivos.
Se seguirmos mudando, se seguirmos incluindo, se seguirmos crescendo – e temos tudo para atingir esses objetivos -, o Brasil vai mudar definitivamente de patamar.
Vamos erradicar a miséria nos próximos anos. Vamos transitar de país emergente para país desenvolvido no qual a população desfruta de serviços públicos adequados, educação de qualidade e bons empregos.
Creio que, se trabalharmos direito e fizermos as opções acertadas, podemos construir e legar para nossos filhos e netos o melhor lugar do mundo para se viver.
Companheiras e companheiros,
Durante o governo do presidente Lula, começamos a construir um novo Brasil. Esta é a obra que quero continuar.
Com a clara consciência de que continuar não é repetir.
É avançar.
Esta é a missão que o PT e os partidos aliados colocam em minhas mãos.
É este compromisso de fazer o Brasil seguir mudando que assumo, no fundo de minha alma e do meu coração.
Este é o compromisso que vamos cumprir, com coragem e determinação, eu e meu companheiro de chapa, Michel Temer, futuro vice-presidente da república.
Temer: vamos fazer uma bela caminhada juntos, com nossos partidos e todos os partidos da coalizão – a coalizão dos que sabem que, da mesma forma que foi preciso somar forças para conquistar a democracia no passado, é preciso somar forças hoje para alargar ainda mais o caminho aberto pelo presidente Lula. Estamos juntos para seguir mudando. Não há e não haverá retornos.
Nesta campanha nós vamos debater em alto nível, vamos confrontar projetos e programas. Vamos esclarecer ao povo que somos diferentes dos outros candidatos.
Mas depois de eleitos, governaremos para todos, como fez Lula, o presidente que mais uniu os brasileiros.
Sei como buscar a união de forças e não a divisão estéril. Sei como estimular o debate político sério e não o envenenamento que não serve a ninguém.
Para concluir, quero lembrar uma cena que vivi há poucos dias e me comoveu fortemente.
Eu estava num aeroporto, quando um jovem casal, com uma filhinha linda, se aproximou. E a mãe falou assim: “eu trouxe minha filha aqui pra que você diga a ela que mulher pode”.
Eu perguntei para a guria: “mulher pode o quê?”. E ela: “ser presidente”. Eu disse: “pode sim, não tenha dúvida que pode”.
Sabem como é o nome desta menininha? Vitória!
Pois é para ela, e para as milhões e milhões de pequenas Vitórias e Marias, meninas deste Brasil que não sabem ainda que uma mulher pode ser presidente, é para elas que eu quero dedicar a minha luta.
E a nossa vitória.
Para que, assim como depois de Lula, um operário brasileiro sabe que ele, seu filho, seu neto, podem ser presidente do Brasil, estas pequenas Vitórias e Marias também possam responder, quando perguntadas o que vão ser quando crescer; que elas possam responder, como fazem os meninos :
“Eu quero ser Presidente do Brasil!”
E que o Brasil seja cada vez mais feliz por causa desta resposta.
O presidente Lula revelou otimismo em relação ao pleito de outubro durante a convenção nacional do Partido dos Trabalhadores que oficializou neste domingo a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República. Mas, disse que a batalha será dura e alertou a militância dos partidos que compõem a coligação liderada pelo PT para a necessidade de intensificar o trabalho de esclarecimento e convencimento da população. “Não existe eleição fácil, o bicho vai pegar”, exclamou.
“Estamos a três meses e vinte dias da eleição”, lembrou o presidente. “Serão dias de muito trabalho, muita alegria e muita tensão. Não queremos jogo rasteiro, com invenção de um dossiê a cada dia. Preferimos o debate de ideias e projetos”, comentou.
Os adversários, segundo Lula, já mostraram do que são capazes em pleitos passados. “Vocês já viram como foi o nível da campanha em 2006. Nossa tranquilidade e maturidade é que vai garantir que a gente ganhe. Não devemos ficar de sapato alto imaginando que já ganhamos. Eleição e mineração a gente só conhece o resultado no final, depois de apuradas as urnas. Não existe eleição fácil.”
Críticas à mídia
Num alerta sobre as artimanhas das forças adversárias, que têm na mídia hegemônica um forte aliado, o presidente informou que esteve observando um certo canal de TV durante o último sábado (12) e percebeu que o candidato tucano ganhou muito mais tempo e espaço no noticiário do que Dilma Rousseff.
“Quando se trata de campanha a imprensa deveria ser neutra ou no mínimo dizer claramente que tem candidato”, criticou.
O presidente afirmou que o momento “é um momento de glória para nós. Será uma coisa gratificante entregar a faixa presidencial a uma companheira mulher. Eleger Dilma significa dar continuidade para melhorar cada vez mais o nosso país. Estamos a 3 meses e 20 dias da eleição e a seis meses e 18 dias do final do nosso mandato, eu e o Zé de Alencar. Temos o sentimento do dever cumprido.”