sábado, 9 de outubro de 2010

Desmatamento na Amazônia cai 47%

Governo atribui queda em relação a 2009 a sistema de combate a crimes ambientais

Catarina Alencastro – O Globo

BRASÍLIA. O desmatamento da Amazônia caiu 47% em agosto deste ano com relação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados do sistema de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram desflorestados 265 quilômetros quadrados de vegetação nativa na região, contra 498 km2 em agosto de 2009. Ao divulgar o resultado ontem, o Ministério do Meio Ambiente atribuiu a queda ao fato de o governo ter montado um sistema integrado de combate aos crimes ambientais, no qual o Ibama atua em parceria com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).


— Está se configurando um padrão de queda sustentável do desmatamento. É uma queda contínua. O resultado é muito positivo, mas ainda temos que trabalhar muito para reduzir mais ainda esse desmatamento ilegal. Nós não precisamos ter desmatamento na Amazônia.

Nós temos certeza disso, e nós temos que avançar com as práticas de sustentabilidade — disse a ministra Izabella Teixeira.

De janeiro a agosto, todos os estados da Amazônia legal, com a exceção do Amazonas, tiveram redução na destruição da floresta. Nesse período, o Amazonas desmatou 26% a mais do que o fez entre janeiro e agosto de 2009. Izabella disse que há uma preocupação do governo com relação a isso, e que uma equipe investiga, em campo, o que está acontecendo.

O desmatamento acumulado de agosto de 2009 a julho de 2010 será divulgado em novembro.

Deverá ser o grande trunfo que o presidente Lula levará a Cancún, para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas.

No ano passado, o Brasil registrou o menor desmatamento da História: 7.464 km2. Este ano, a expectativa do governo é que a taxa fique abaixo de 5.000 km2.

Ontem, ao anunciar os dados de agosto, o governo informou que o Ibama começou a trabalhar com uma nova tecnologia de detecção do desmatamento: o radar japonês Alos, capaz de captar o que acontece através das nuvens, o que o sistema do Inpe não permite. Mas, ao mesmo tempo em que comemorava a redução do desmatamento, o governo admitiu que no controle das queimadas ainda há muito o que melhorar. O balanço do Ministério do Meio Ambiente é que houve 108 mil focos de incêndio este ano. No cerrado, bioma mais atingido pelo fogo, foram registrados 57,7 mil focos de queimadas, número mais de 350% superior ao verificado no mesmo período de 2009, segundo a ONG WWF. Os parques concentraram grande parte do problema.

Só ontem, segundo o Inpe, foram detectados focos em 120 unidades de conservação.

— Nós precisamos melhorar a informação, a prevenção, a articulação. Tem um conjunto de coisas que precisam ser aperfeiçoadas. Nós vimos que parte bastante expressiva dos incêndios em unidades de conservação tem origem criminosa — disse Izabella.

Retirado do Leituras Favre

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