sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A singela diferença entre o egoísta e o altruísta

Por Marco Aurélio Mello,


Quando trabalhava na TV Globo, havia um repórter cinematográfico, que não vou identificar por razões óbvias, que andava com um cheque de cem reais no bolso. Ele fazia questão de mostrar aos mais íntimos. Era um prêmio que ele recebeu ao lado de um dos mais consagrados repórteres brasileiros.

O sujeito foi lá, faturou cinco mil reais, se não me engano, e dividiu o prêmio com os colegas, na proporção que ele achou ser a mais justa. Andar com o cheque no bolso era um protesto, uma maneira de dizer ao mundo como companheiros podem ser tão injustos com os colegas, quando se trata de trabalho coletivo.


O prêmio de um repórter consagrado é seu status, seu reconhecimento público e, principalmente, seu salário, muitas vezes 10, 20, 30 vezes maior do que o do pessoal da base da pirâmide. Portanto, nada mais justo do que em ocasiões como esta dar o exemplo, premiar aqueles que fazem a diferença, no sentido de transformar nosso trabalho coletivamente.

Mas não são todos que pensam assim e respeito aqueles que não concordam com meus argumentos. Por isso, prefiro não expor os colegas. Mas como o mundo é feito de exemplos, este texto abaixo do Instituto Cidadania dá bem a medida do que estou dizendo:

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta quinta-feira (29) em Gdansk, na Polônia, o prêmio Lech Walesa, criado em 2008 pela fundação do ex-presidente polonês para reconhecer personalidades destacadas por seu respaldo à liberdade, democracia e cooperação internacional.

Após receber o prêmio de 100 mil dólares, Lula propôs a Walesa, em seu discurso de agradecimento, que o valor seja doado a um país africano, que será escolhido pelos diretores do Instituto Lula junto aos membros da fundação polonesa.

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, compareceu ao evento e disse que Lula ajudou a tornar possível um sonho impossível. Ele afirmou que o ex-presidente brasileiro e Walesa fizeram mudanças radicais em seus países, mas que não resultaram em caos como costuma acontecer com os sonhos radicais, mas sim em crescimento econômico e bem estar para as populações. O presidente do Senado polonês também foi à cerimônia.

Segundo nota divulgada pela Fundação Lech Walesa, Lula foi escolhido “em reconhecimento por seus esforços para conseguir uma cooperação pacífica e a compreensão entre as nações, especialmente para reforçar o papel dos países em desenvolvimento no mundo dos negócios, e por sua contribuição para reduzir a desigualdade social”.

Para Piotr Gulczyński, presidente do instituto Lech Walesa, o prêmio concedido “é uma expressão de solidariedade com aqueles que lutam por um melhor amanhã. Lula implementou reformas pacíficas em seu país, reduziu as desigualdades sociais, e também tem desempenhado um papel de destaque como um porta-voz para os países em desenvolvimento no exterior, bem como contribuiu para resolver os conflitos entre as nações”.

Reproduzido do Blog DoLaDoDeLá

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