domingo, 12 de dezembro de 2010

Wikileaks: embaixada dos EUA diz que espaço aéreo de Brasília é vulnerável a ataques terroristas


Thaís Romanelli | Redação

O jornal Folha de S. Paulo divulgou neste domingo (12/12) o vazamento de um telegrama obtido pelo Wikileaks em que a embaixada dos Estados Unidos no Brasil diz que o espaço aéreo de Brasília é vulnerável a ataques terroristas, que podem podem usar um avião para atingir e destruir prédios públicos na capital do país.


De acordo com o jornal, que foi um dos sete veículos a ter acesso ao documento antes do site divulgá-lo, o telegrama foi enviado em março do ano passado pelo então embaixador norte-americano Clifford Sobel, para o governo dos EUA. Na mensagem, Sobel comentava a aplicação da Lei do Abate no Brasil, que foi aprovada em 1998, mas regulamentada apenas em 2004.

Além disso, relatava o ocorrido em 12 de março do mesmo ano, quando um homem roubou um monomotor em Luziânia, cidade a 56 km de Brasília e posteriormente caiu no estacionamento do maior shopping center de Goiânia, matando o piloto e sua filha de 5 anos.

"[O caso] Iluminou uma vulnerabilidade para ações com potencial terrorista, dado que a decisão [de atirar] não teria sido tomada a tempo de impedir o piloto se ele tivesse condições de jogar seu avião em um alvo, ou outro prédio, inclusive em Brasília", diz o texto.

De acordo com a Folha de S. Paulo, a aplicação da Lei de Abate no Brasil teria motivado a correspondência diplomática, já que aqui para que o piloto de um caça da Força Aérea possa atirar contra um avião são necessárias inúmeras exigências, inclusive uma ordem presidencial.

Sobel, que conta como a determinação se deu no caso de Luziana - no qual não houve disparos contra o avião roubado -, aponta uma lacuna na regulamentação da Lei, que cita ataques contra aviões suspeitos de transportar drogas ilícitas "na vasta região Norte do Brasil, e não a potenciais ataques a cidades".

O questionamento dos procedimentos utilizados pela Força Aérea e da exigência da autorização presidencial para efetuar disparos em aeronaves que sobrevoem sem autorização contradiz a oposição norte-americana feita em 1998 quando a lei foi aprovada.

Na ocasião, o governo dos EUA era contra a aprovação da lei porque constantamente aviões militares norte-americanos entravam no espaço aéreo brasileiro sem autorização e temiam que a Força Aérea tivesse dificuldades para discernir quais seriam aviões de fato hostis e que mereceriam ser derrubados.

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