segunda-feira, 30 de maio de 2011

Wilma de Faria: 'Alguns políticos me traem, articulam contra mim'

 

Da Redação do PN

Governadora do Estado por duas vezes, prefeita de Natal por três ocasiões, deputada federal constituinte, a professora Wilma de Faria (PSB) foi e é uma das maiores lideranças políticas do Rio Grande do Norte. Tendo amargado uma derrota para o Senado em 2010 e estando sem mandato, Wilma tenta reconstruir o seu partido e é vista como candidata forte em Natal para 2012. Em visita ao Alpendre do PN, a “Guerreira”, como é chamada, conversou com os jornalistas José Pinto Junior e Cefas Carvalho, sobre política, administração, projetos e mágoas. Confira.

Como é estar sem mandato, após tanto tempo estando no poder?


Nesse momento, sem mandato, há sim uma diferença muito grande, embora eu não tenha parado nenhum minuto desde o início deste ano. Porque eu tenho sido o tempo todo demandada pela população para fazer uma oposição responsável e ao mesmo tempo tenho compromissos de fazer meu partido trabalhar conscientemente.

A senhora tem medo que o partido encolha em termo de prefeituras e Assembléia Legislativa com a senhora distante do poder?

Historicamente os partidos de oposição do Rio Grande do Norte têm uma situação complicada. Porque a sociedade em geral não valoriza os partido como deveria valorizar. Então, isso refletiu na mudança contínua de partidos, reflete em você estar junto do poder.

O deputado Ricardo Carvalho falou com a senhora se sai ou não do partido?

A última conversa que tivemos, ele disse que estava sendo convidado por outras siglas, mas não iria. Ele ficou insistentemente me dizendo que não iria. E na ultima vez ele disse que estava sendo muito pressionado pelas bases para sair, estava preocupado, então isso me preocupou também.

A pergunta que não quer calar entre os jornalistas políticos é essa: a sra. é candidata a prefeita de Natal na eleição do ano que vem?

Estamos sendo muito procurados e apoiados pela população de Natal para sermos candidatos. Eu estou sentindo que devemos esperar um pouco, porque a gente não prometeu isso, não planejei uma candidatura a prefeita de Natal. Ao contrário, fui muito procurada depois da eleição de 2010 por candidatos a prefeito. Fui procurada por Carlos Edu­ardo, Fernando Mineiro, Fábio Faria, a própria Micarla... Mas era um momento de transição e eu disse que não podia tomar nenhuma decisão naquela hora, sem antes ouvir todas as instâncias do partido. Mas, a candidatura é uma possibilidade.

A senhora considera que o desgaste que o governo de Micarla vive a torna uma candidata natural?

A gestão da prefeita Micarla tem sido desaprovada pela população e a gente vê a falta de comando de uma gestão incompetente em várias áreas, como a mobilidade urbana, o problema do trânsito, a questão das obras estruturantes que foram compromisso e até agora também não saíram.

Onde é que o governo de Micarla erra e onde é que a gestão não funciona?

Acho que o principal motivo do povo não aprová-la é que ela não planejou nada e o que ela prometeu, não fez. Está sempre dizendo que vai fazer, mas não faz. E a outra coisa, que eu acho mais importante, é a ingerência. É como uma casa que, você não cuida e a casa não funciona.

Carlos Eduardo e Fernando Mineiro, que são pretensos candidatos à prefeitura, seriam bons vices para a sua candidatura. A senhora acha que seriam duas chapas imbatíveis?

Eu não vou fazer conjecturas porque ainda está muito no início e depende de cada partido. Eu respeito o PDT, como respeito o PT. Agora não posso deixar de considerar que são dois nomes bons. Parece uma boa idéia (risos).

Como a senhora avaliou a ida de Cláudio Porpino e Vagner Araújo, dois históricos aliados seus, para o governo Micarla?

Isso é uma decisão difícil. Eu também fui convidada para participar da administração, mas, a população não aceitaria que eu fosse para lá. Eles foram para lá, pediram licença para se afastar do cargo e eu deixei muito claro para a imprensa que eu não concordava, que eles tinham que se afastar. E eles disseram que iriam exercer funções técnicas, não iam ser políticas.

Que avaliação a senhora e o partido fazem da derrota na última eleição. Tanto a da senhora para o Senado com a de Iberê para o governo?

Rosalba ganhou, porque ela era candidata a governadora desde o final da campanha para senadora. E fez uma campanha nesses quatro anos. Ao Senado foi complicado porque tinham dois grandes senadores que estavam há tantos anos e fizeram a dobradinha. E nós ficamos sem essa dobradinha. Hugo Manso era um bom nome, mas não era conhecido em todo o estado, nem havia uma relação entre a gente que satisfizesse o meu eleitorado. Então, o meu eleitorado votou em mim e no outro candidato, Agripino ou Garibaldi. Se houvesse uma só vaga talvez eu tivesse mais chance.

Qual a sua avaliação sobre esses primeiros meses da gestão de Rosalba?

Acho que ela tem errado muito. Porque ela foi eleita governadora; ela não é a última palavra no regime democrático. As pessoas têm me perguntado. Ela não tem dialogado. As categorias que estão em greve, são os serviços essenciais, serviços básicos. E dar uma declaração dizendo que greve não traz dinheiro, eu entendo que seja uma reação ditatorial. Mesmo se ela não quisesse receber o pessoal ela deveria ter montado uma equipe que fizesse o atendimento ao pessoal.

Carlos Eduardo, que era seu vice-prefeito, concorreu a senador contra a senhora; João Maia terminou não te ajudando e Robinson Faria foi candidato do outro lado. A senhora não acha que deveria ter escolhido o seu sucessor ainda em 2002?

Na eleição de 2002 ninguém acreditava e eu estava praticamente sozinha. Como líder político, às vezes a gente tem dificuldade porque não tinha líderes suficientes. A gente tinha um balanço vazio e uma imensa multidão ouvindo as nossas propostas. Curioso é que o próprio João Maia, o próprio Robinson tiveram uma parte do governo para nos ajudar na gestão. E eu não persegui, eu quis que eles participassem.

Mas a senhora faz essa avaliação de que tivesse escolhido o candidato depois das eleições municipais teria segurado o grupo?

O candidato que tínhamos mais forte no partido era Iberê mesmo. Era o vice-governador.

É que Robinson dizia que a senhora tinha dito que o apoiaria.

E não fico prometendo que vou candidatar um ou outro. Eu não prometo porque não posso prometer, ninguém pode prometer. A gente faz um acordo, mas a gente não pode fazer um acordo não sei pra quando.

Mas no contexto...

A gente não pode desrespeitar a opinião pública por antecipação se comprometendo com determinada candidatura, eu não posso fazer isso.

A senhora não tem uma certa mágoa com Carlos Eduardo por, além de sair do grupo, entrar com uma candidatura ao Senado?

Olha, vocês falam que Carlos foi eleito por causa do meu apoio. Robinson participou com grande apoio da minha gestão do governo, todo mundo sabe disso; foi presidente da Assembléia durante oito anos com todo apoio e não ficou comigo. Isso vocês até me cobram. Será que vocês cobrariam ele também? Eu não sei se é uma coisa machista ou se é de alguém que saiu das bases para chegar ao poder. Não é pra você, é de um modo geral. Eles botam isso nos jornais deles: que eu sou mal-agradecida. Eles me traem, eles articulam contra mim, só ficam comigo quando não têm chance.

Qual é o sonho político que a senhora ainda não realizou?

Meu grande sonho é o nordeste desenvolvido, é ver diminuírem as diferenças

A senhora acredita que ainda pode ajudar o Rio Grande do Norte no Senado?

Com certeza. Meu interesse de ir para o Senado é porque eu queria mostrar como um senador pode ajudar o RN, como o senador pode deixar suas marcas, não por uma questão de vaidade, mas por um compromisso com a sua terra e compromisso com o seu mandato.

Fonte: Potiguar Notícias

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